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Americanos não cadastrados: por causa dos pais, não constam como cidadãos

Sem certidão de nascimento nem número do Seguro Social, centenas de americanos vivem em limbo burocrático, sem direitos básicos nem mobilidade

‘I just want to be able to have a normal life,’ says Sam Bishop, a 26-year-old in Massachusetts who, without a birth certificate, cannot obtain a driver’s license, open a bank account, or buy health insurance.
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  • centenas de pessoas nos estados Unidos não possuem certidão de nascimento nem número de Seguro Social, o que as impede de ter documentos e cumprir atividades básicas do dia a dia.
  • Sam Bishop, de 26 anos, nasceu em casa e não tem certidão; sem documentos, não consegue obter carteira de motorista, conta em banco, seguro de saúde ou passaporte.
  • o raríssimo status é chamado de “estatuto evidenciário de apatridia” — cidadão sem documentos que provem sua identidade.
  • o movimento de nascimento fora do sistema (freebirth) e a ideologia de cidadãos soberanos contribuíram para mais famílias optarem por não registrar filhos, elevando o risco de novas pessoas sem documentação.
  • relatos de outros casos nos EUA mostram variações regionais de como obter documentação legal, com poucos caminhos viáveis, incluindo alguns exemplos de adoção de passaporte como tentativa de regularizar a situação.

Sam Bishop tem 26 anos e vive em Worcester, Massachusetts. Ele nasceu em casa, sem médico presente, e não há registro de nascimento nem documento que prove sua existência. Sem certidão, não consegue obter Social Security, carteira de motorista, passaporte ou identificação básica.

Sem esses documentos, a mobilidade dele fica limitada: não é possível abrir conta em banco, fazer empréstimo ou passar em checagens para aluguel ou emprego. Também não pode viajar de avião, comprar seguro de saúde ou obter matrícula em cursos. A vida dele fica restrita a um cotidiano sem papéis oficiais.

O caso de Sam é classificado como estatutária evidenciária ou statelessness. Em New Hampshire, para obter certidão é preciso apresentar documentos que comprovem nome, data e local de nascimento, o que ele não tem. Os pais, que criaram Sam, sumiram há anos e não respondem a tentativas de contato.

A história de Sam não está isolada. Há centenas, quem sabe milhares, de chamados “americanos não registrados” espalhados pelo país, com posições na sociedade e territórios de atuação variados, mas todos presos em entrave burocrático.

Outro fator é o movimento conhecido como “freebirth”, que incentiva parto sem assistência médica. Em meio a esse ambiente, ideias de cidadãos soberanos se disseminam e podem levar famílias a abrir mão de documentos como certidões e números de Seguro Social.

Nikki, ex-mentora de freebirth, relata que o movimento ganhou tração após a pandemia, com relatos de riscos em casos de complicações e com críticas à medicina convencional. Ela diz ter deixado o papel de coaches, buscando formação para atuar como parteira licenciada.

Especialistas alertam que a disseminação de narrativas soberanas pode ampliar o grupo de pessoas sem registro. A advogada Samantha Sitterley explica que manter crianças totalmente fora do sistema gera statelessness e sofrimento para as famílias.

Casos como o de Sam, que vive entre Worcester e pequenas cidades, destacam dificuldade de acesso a suporte legal. Profissionais de defesa de direitos de pessoas sem documentos atuam para que haja caminhos mais claros para obtenção de certidões e de número de identificação.

Em estados como Idaho, Georgia e Colorado, outras pessoas sem documentos relatam trajetórias semelhantes. Muitos passam anos buscando soluções, encurralados entre leis estaduais, requisitos de prova e os custos de regularizar a identidade.

A reportagem acompanhou relatos de jovens que, após anos, conseguiram algum avanço — como emissão de passaporte ou atrás de soluções para educação e trabalho. Mesmo assim, a realidade de quem não tem documentos pode exigir batalhas longas e desgastantes.

Especialistas destacam que a ausência de identidade legal não é apenas um problema pessoal, mas uma questão pública que afeta educação, mercado de trabalho e acesso a serviços. A preocupação é evitar que novas gerações permaneçam sem registro.

Sam continua buscando um caminho que lhe permita ter vida normal: carteira de motorista, emprego formal, acesso a crédito e deslocamento livre. Ele afirma que o objetivo não é um ideal, mas simples necessidade de participar plenamente da sociedade.

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