- Route 66 completa 100 anos, e mais da metade da rota passa por terras indígenas; negócios indígenas ao longo do trajetório continuam raros.
- Em Tulsa, a chef Shawnee Jacque Siegfried abriu Nātv, restaurante que valoriza culinária indígena com ingredientes locais e prato inspirado no método das Três Irmãs.
- A Aianta criou um guia para turismo indígena liderado, com quinze protocolos de conduta para visitantes, incluindo proibição de filmar cerimônias em Pueblos.
- Em Oklahoma City, o First Americans Museum, aberto em 2021, reúne a história de 39 tribos reconhecidas federalmente e destaca a relação entre Route 66 e o Trail of Tears.
- Em Albuquerque, o Indian Pueblo Cultural Center celebra os 19 pueblos da região; o artesanato em miniaturas impulsionou a economia local e a divulgação cultural ao longo da rota.
In Tulsa, Oklahoma, o restaurante Nātv, aberto em 2022, exibe cozinha que mescla tradição Shawnee com formação francesa. O ambiente tem ervas nativas, grama das Grandes Planícies e sunchokes nas paredes, enquanto o aroma de bisoné acompanha o movimento da porta.
A poucos quilômetros de Route 66, a mais famosa estrada dos EUA completa 100 anos. A reportagem acompanha o trajeto rumo ao Oeste, de Oklahoma a Novo México, para entender as dinâmicas entre a via e as comunidades indígenas que convivem com ela.
Mais da metade do trajeto de Route 66 passa por terras ou próximas a territórios com autogoverno indígena, conhecidos como Indian Country. Mesmo assim, negócios de origem nativa são raros na rota, sinalizando uma lacuna de representatividade econômica e cultural.
Uma gastronomia que resgata histórias
Jacque Siegfried, chef de ascendência Shawnee, fundou Nātv para ampliar a presença de culinária indígena na região. Com treinamento clássico e raízes locais, ela cria pratos que ressaltam ingredientes regionais e saberes ancestrais, sobrepondo tradição a técnicas contemporâneas.
Um prato destacado une o cozido com pão frito, apresentando ingredientes associados aos Três Irmãos — milho, feijão e abóbora cultivados juntos para fortalecer o solo e a comunidade. O conceito reforça a ideia de recuperação de saberes alimentares.
Turismo indígena em foco
Antes vistos como tema marginal, os roteiros de turismo indígena em Route 66 ganham espaço. Com a indicação a uma nomeação no James Beard, Siegfried ajuda a ampliar a visibilidade da culinária ancestral e a ampliar roteiros de viagem que respeitam culturas locais.
A rota liga Chicago aos aros da Costa Pacífica, e sinais de Índios aparecem sob a forma de lojas temáticas, esculturas e monumentos. Contudo, vozes das 25 nações tribais muitas vezes ficam à margem do discurso turístico tradicional.
Guias e museus valorizam a história
A Aianta, associação de turismo indígena, lança guias para destacar a diversidade cultural ao longo da rota. Entre os destaques estão trilhas de artes Hopi e eventos como powwow na Nação Indígena de Oklahoma, que promovem artesanato tradicional e dança cerimonial.
A diretora-executiva Sherry L Rupert aponta práticas de conduta para visitantes, como a proibição de filmar cerimônias em alguns contextos. Guias e protocolos ajudam turistas a interagir com respeito e compreensão.
Narrativas que vão além do consumismo
Em Oklahoma City, o First Americans Museum apresenta uma visão ampla da história das 39 nações tribais reconhecidas no estado. A arquitetura busca simbolizar uma ave em voo, conectando passado e presente na experiência dos visitantes.
No caminho para o Novo México, o Indian Pueblo Cultural Center em Albuquerque celebra os 19 pueblos da região, com exposições sobre habitação em adobe, agricultura seca e a Revolta de 1680. A casa também destaca a transformação econômica provocada pela Route 66.
Desdobramentos culturais ao longo da rota
A trajetória de Route 66, que incluiu mudanças no comércio de artefatos, ajudou artesãos a produzir itens menores e portáteis para viajantes. Dessa forma, obras em cerâmica, miniaturas e objetos de bolso funcionaram como divulgação cultural itinerante.
Ao pôr do sol, a visão de Rupert retorna com força: Route 66 não é apenas nostalgia, mas um espaço onde comunidades indígenas contam suas histórias atuais. A reportagem encerra sem julgamento, apenas apresentando os fatos.
Entre na conversa da comunidade