- Os organizadores do Oscar avaliam mudanças nas regras para impedir que atuações geradas por inteligência artificial concorram ou ganhem o prêmio.
- A discussão vem à tona após a produção de “As Deep as the Grave”, protagonizada por Val Kilmer, que faleceu em 2025.
- Kilmer teve a atuação criada com IA a partir de material de arquivo, com o espólio e a filha autorizando o uso; o filme ainda não tem data de lançamento.
- O SAG-AFTRA estabelece regras mais rígidas: performances inteiramente geradas por IA são desqualificáveis; trabalhos com IA ainda podem ser elegíveis se houver consentimento do intérprete.
- A Variety aponta que o tema continua em debate na Academia, que já declarou que ferramentas de IA não afetam sozinhas as chances de indicação, mas o grau de participação humana é considerado.
Os organizadores do Oscar estudam alterar as regras da premiação para impedir que atuações geradas por IA concorrerem ou ganharem. A proposta, segundo reportagem da Variety, está em avaliação pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
A produção As Deep as the Grave é citada como exemplo. O filme seria protagonizado pelo ator Val Kilmer, falecido em 2025, cuja imagem foi usada com a autorização de sua família. O espólio de Kilmer, com a filha Mercedes Kilmer, participou do processo criativo.
O roteiro foi mantido pelo cineasta Coerte Voorhees, que não substituiu o ator diante de sua indisponibilidade. Com a cooperação do espólio e de Kilmer, Voorhees criou a atuação por meio de IA generativa, usando material de arquivo e ferramentas digitais.
Segundo a Variety, Kilmer foi a escolha inicial para o papel antes de sua morte. O filme ainda não tem data de estreia, mas já levanta debates sobre o uso de IA para reproduzir performances de atores.
A academia já afirmou, em comunicado citado pela Variety, que ferramentas de IA não facilitam nem dificultam a indicação, cabendo aos votantes considerar o grau de participação humana na autoria criativa.
O SAG-AFTRA mantém posição mais rígida: performances inteiramente geradas por IA são desclassificadas. Trabalhos enriquecidos por IA podem ser elegíveis apenas com consentimento do intérprete, conforme acordos sindicais.
A reportagem aponta que, no caso de As Deep as the Grave, o consentimento foi obtido pelo espólio de Kilmer, mas a atuação pode ser categorizada como totalmente gerada, o que a tornaria não elegível aos Actor Awards.
Ao final, a Variety levanta a dúvida sobre como a recepção do público poderá influenciar futuras decisões, caso a atuação de Kilmer seja bem recebida, ou se o conteúdo artificial suscitar críticas.
Caso novas diretrizes entrem em vigor, a indústria precisará ajustar critérios de indicação para evitar ambiguidades entre performances humanas e criações com IA, mantendo o rigor editorial e técnico do prêmio.
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