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Atendimentos para largar cigarro quadruplicam em seis anos, mas programa do SUS tem gargalos

Atendimentos para largar o cigarro no SUS quase quadruplicaram em seis anos, mas há gargalos de acesso e falta de profissionais de saúde mental

Ivoneide Amorim (à esq.), 65, e Genicélia da Silva (à dir.), 60, tentam parar de fumar por meio do grupo antitabagismo da UBS Arrastão, em Campo Limpo
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  • Atendimentos ambulatoriais de fumantes que buscam largar o cigarro quase quadruplicaram em seis anos, de 5.295 para 19.181, segundo o Ministério da Saúde.
  • Não fica claro se o aumento se deve a mais fumantes ou a maior procura pelos tratamentos; em 2024 houve alta da prevalência de fumantes adultos, de 9,3% para 11,6%.
  • Entre 2020 e 2025, internações relacionadas ao tabagismo cresceram de 1.251 para 2.125.
  • O protocolo do SUS prevê atendimento psicológico — individual ou em grupo —, além de uso de adesivos de nicotina e prescrição de bupropiona; a efetividade depende da disponibilidade de profissionais de saúde mental nos municípios.
  • O Ministério informou um aumento de 30% no número de profissionais capacitados para controle do tabagismo (de 5.935 em 2022 para 7.702 em 2025); especialistas apontam que a taxa de sucesso fica entre 10% e 30%, com abandono frequente do tratamento.

O número de atendimentos ambulatoriais de fumantes que buscam parar de fumar quase quadruplicou nos últimos seis anos, segundo o Ministério da Saúde. Passeou de 5.295, em 2020, para 19.181, em 2025. A pasta ressalta o ganho de força do programa, sem apontar se há mais fumantes ou maior procura pelos tratamentos.

Entre 2020 e 2025, também houve aumento nas internações relacionadas diretamente ao tabagismo, de 1.251 para 2.125. Especialistas destacam que o crescimento dos atendimentos pode refletir maior divulgação e oferta de serviços, bem como o esforço de capacitação de profissionais.

Ampliação do programa e gargalos

O SUS ampliou o corpo de profissionais dedicados ao controle do tabagismo, com crescimento de 30% no total de especialistas entre 2022 e 2025. O número passou de 5.935 para 7.702, segundo o Ministério da Saúde.

O protocolo antitabagismo envolve atendimento psicológico, em grupo ou individual, além de recursos como adesivos de nicotina e prescrição de bupropiona. A distância entre orientação e prática ocorre, em parte, pela dependência de disponibilidade de profissionais em cada município.

Desafios de implementação e efeitos na vida real

Relatos de pacientes mostram que a cessação envolve aspectos emocionais; a ansiedade e a depressão costumam ser barreiras relevantes. Grupos de apoio funcionam como sessões coletivas, porém nem todos respondem da mesma forma, e algumas pessoas buscam o atendimento médico como único recurso.

Especialistas ressaltam que o grupo sozinha nem sempre é suficiente; há pacientes que necessitam de acompanhamento individual com especialista em saúde mental. A disponibilidade desse tipo de atendimento varia entre municípios, impactando a efetividade da estratégia.

Perspectivas e custos da política pública

Dados apontam que, conforme o Instituto de Efetividade Clínica e Social, o Brasil gasta cerca de R$ 153,5 bilhões por ano com doenças associadas ao tabagismo. O Ministério afirma que o programa é reconhecido pela OMS como uma das melhores iniciativas do mundo, com necessidade de reforço em medidas complementares de desestímulo ao tabaco.

Especialistas destacam que a ampliação do acesso, aliada a estratégias de prevenção e combate ao tabaco, é essencial para reduzir efeitos na saúde pública. O Ministério da Saúde não detalha metas de conclusão de tratamento, mantendo o desafio de medir eficácia de forma uniforme.

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