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Cidade brasileira engolida por águas: topo de igreja resiste e atrai mergulhistas

Igreja do Sagrado Coração de Jesus resiste a dez metros de profundidade, símbolo da Petrolândia submersa no lago de Itaparica

A antiga cidade brasileira engolida pelas águas, onde o topo de uma igreja secular resiste no meio do rio e atrai mergulhadores
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  • A cidade de Petrolândia, fundada em 1904, foi submersa entre 1979 e 1988 para a construção da usina hidrelétrica de Itaparica, gerida pela CHESF, formando o Lago de Itaparica que ocupa cerca de 834 km² e se estende por aproximadamente 150 km entre Pernambuco e Bahia.
  • A barragem tem 105 metros de altura e 4,7 km de comprimento; milhares de famílias foram realocadas para um novo núcleo urbano às margens da BR-316.
  • A Igreja do Sagrado Coração de Jesus resiste parcialmente submersa, com a torre e parte da fachada ainda de pé a cerca de 10 metros de profundidade em períodos de cheia; o local está em processo de tombamento pela Fundarpe.
  • O conjunto histórico ficou conhecido como Atlântida brasileira, pois, nos meses de estiagem, entre julho e setembro, partes da igreja emergem da água.
  • O acesso principal a Petrolândia é via Recife, a cerca de 470 km, com voos pelos aeroportos de Recife e Petrolina; a população do município era de 34.161 habitantes em 2022.

A cidade histórica de Petrolândia, em Pernambuco, foi submersa para a construção do Lago de Itaparica, criação da usina hidrelétrica de mesmo nome. A obra da CHESF começou em 1979 e ficou pronta em 1988, reduzindo Petrolândia a memórias líquidas ao preencher o reservatório de cerca de 834 km² entre Pernambuco e a Bahia.

O lago, com potência instalada de 1479 MW, abriga milhares de habitantes relocados para um novo núcleo urbano às margens da BR-316. Igrejas, casas e ruas foram engolidas pela água, que também cobriu cemitérios e prédios públicos, deixando apenas vestígios submersos.

A igreja que resiste

Entre as estruturas, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus foi preservada parcialmente. A torre e parte da fachada permanecem sob a água, a cerca de 10 metros de profundidade em períodos de cheia, tornando-se símbolo da cidade submersa. O tombamento pela Fundarpe protege o espaço e impede alterações.

A antiga matriz ficou totalmente submersa. Hoje, a igreja é ponto de referência para mergulhadores e visitantes, que costumam observar o conjunto durante períodos de seca, quando a água recua e parte da nave volta a soar sob a superfície.

Turismo e revelações sazonais

Nos meses de estiagem, entre julho e setembro, o nível do São Francisco baixa e revela parte da nave, arcos e paredes. O apelido Atlântida brasileira surge pela visão da igreja emergindo entre as águas calmas do lago.

Barqueiros e mergulhadores passaram a oferecer passeios desde 2014. A Ilha de Rarrá, próxima às ruínas, integra os roteiros com catamarãs que partem de Nova Petrolândia. O Mirante da Serrota oferece visão panorâmica do conjunto submerso.

Como chegar e quando visitar

O acesso principal é por Recife, a aproximadamente 470 km pela BR-232 e BR-316, com tempo de viagem em torno de 7 horas. De Salvador, são pouco mais de 600 km. Os aeroportos mais próximos ficam em Recife e Petrolina. Segundo o IBGE, a população do município era de 34.161 em 2022, com estimativa de 36.104 em 2025.

Passeios de lancha, catamarã e mergulho são contratados no porto da cidade nova. A região combina memória histórica, engenharia e natureza, oferecendo uma das narrativas mais marcantes do sertão brasileiro.

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