- Salone Raritas, área dedicada a peças feitas em pequena escala, foi anunciada no Salão do Móvel de Milão, reunindo cerca de trinta expositores.
- O movimento de design colecionável ganhou espaço no evento, com peças que vão desde objetos artesanais a mobiliário único.
- A abertura contou com a participação da dupla Formafantasma, responsável pelo projeto de estandes da seção.
- Nomes de destaque incluíram a galeria Nilufar e peças como a cadeira de Três Pés, de Joaquim Tenreiro, do fim dos anos quarenta.
- Brasileiros e holandesa Sabine Marcelis estiveram entre os destaques, com foco em peças únicas, iluminação e usos artesanais dos materiais.
O Salão do Móvel de Milão ganhou uma edição mais discreta, mas com foco no design colecionável. Pela primeira vez, a feira abriu uma área dedicada a peças em pequena escala, chamada Salone Raritas, com cerca de 30 expositores. A dupla Formafantasma ficou responsável pelo projeto de estandes.
A iniciativa, anunciada pela presidente da feira, Maria Porro, busca atender tanto o mercado específico de colecionáveis quanto expositores que trabalham com peças únicas ou sob medida. O objetivo é atrair um público diverso, que atua fora das feiras tradicionais de arte ou antiquários.
Destaques e estratégias
A Nilufar, com presença histórica em Milão, viu no Salone Raritas uma oportunidade de mostrar pesquisa e design raro. Entre as peças, destaca-se uma cadeira de Três Pés criada por Joaquim Tenreiro, dos anos 1940.
A carioca Mercado Moderno levou Tenreiro ao espaço, junto de modernistas brasileiros e da designer Inês Schertel, que trabalha com lã de ovelha.
A holandesa Sabine Marcelis exibiu uma escultura líquida de grande porte, explorando materiais, luz e cor sem briefing comercial. A designer comenta que o formato do Salone Raritas permite livre criação, valorizando edições limitadas.
Impacto e cenário do setor
Especialistas veem o movimento de colecionáveis como tendência que migra de feiras de arte para o design industrial de grande escala. A mudança envolve valorização da raridade em vez do volume, com implicações para artesãos e empresas do setor.
Entre as novidades do evento, duas marcas grandes apresentaram novidades. A B&b Italia celebrou 60 anos com a chaise Moor de Vincent Van Duysen e cadeiras de Michael Anastassiades. A Kartell trouxe a linha Savoia, com cadeiras leves em alumínio. Designers britânicos ganharam espaço na Trienal de Milão e em Hermès.
Premiações e novidades
A programação paralela prestou homenagens a nomes históricos, como a Zanotta com a mesa Vertebra de Carlo Mollino e a Cassina com móveis de Franco Albini na Villa Pestarini, abrindo espaço para a mostra Alcova no local.
O Salone ainda anunciou que a Cidade do México sediará uma edição em 2027.
Além disso, estudantes suíços da Head, de Genebra, apresentaram o projeto Banquete para Ratos, com uma mesa coberta por itens alimentares para discutir a relação humano-animal. A Head destacou a ideia de compartilhamento como reconhecimento entre espécies.
Reconhecimentos e finalização
No âmbito do Salone Satellite, Stefannia Russo, brasileira, venceu o prêmio de jovens talentos pela série de luminárias feitas com conchas e biopolímero, impressas em 3D e acabadas à mão. Humberto Campana também esteve presente, com linha de tapetes para a Art de Vivre inspirada em estruturas celulares.
A edição deste ano, marcada por lançamentos contidos e cenografia enxuta, manteve o interesse do público, com filas para as atrações principais. O Salão continua a projetar uma leitura do design que valoriza o único e o artesanal diante de produções em massa.
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