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Hospitais do futuro serão mais especializados e com demanda menor

Hospital do futuro será cada vez mais especializado e menos demandado, com foco em prevenção, atenção primária e monitoramento contínuo

Movimento: Reino Unido e Canadá têm avançado em modelos de acompanhamento contínuo de pacientes crônicos, com uso de telemonitoramento e atenção primária estruturada (iStock/Getty Images)
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  • O hospital do futuro será mais especializado e menos demandado, com foco na prevenção e na coordenação do cuidado.
  • Os pilares incluem fortalecimento da atenção primária, uso de dados para identificar riscos, acompanhamento contínuo de pacientes e estímulo a hábitos mais saudáveis.
  • Globalmente, alto gasto com doenças crônicas e tratamento de estágios avançados preocupa a sustentabilidade dos sistemas de saúde, sobretudo com envelhecimento populacional.
  • Países desenvolvidos, como Reino Unido e Canadá, avançam em modelos de acompanhamento contínuo de pacientes crônicos por telemonitoramento e atenção primária estruturada, reduzindo internações.
  • Cuidados ocorrentes fora do hospital, como hospital at home, e o uso de tecnologia ajudam a tratar com segurança em casa, liberando leitos para casos mais complexos.

O hospital do futuro tende a ser mais especializado e menos demandado, com foco em prevenção e na gestão contínua da saúde. A ideia envolve transformar a atuação hospitalar para além do atendimento pontual à doença aguda.

Para isso, se reforça a atenção primária, o uso de dados para identificar riscos e o acompanhamento ao longo da vida do paciente. Além disso, busca-se estimular hábitos saudáveis capazes de reduzir a incidência de doenças.

A mudança também depende de ampliar a coordenação do cuidado e o monitoramento fora do hospital, com tecnologias que permitam acompanhar pacientes à distância.

Tendência internacional

Nos Estados Unidos, o sistema de saúde consome cerca de 17,5% do PIB, o maior nível mundial, sem correspondência proporcional em resultados. Já na Europa, a Suíça gasta mais de 11% do PIB com saúde, com gastos per capita superiores a US$ 8 mil.

Cerca de 72% dos custos são associados a doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças cardíacas e câncer, muitas evitáveis com intervenções precoces. No Brasil, o gasto é de aproximadamente 9% do PIB, com dominance do investimento privado.

Envelhecimento e demanda

O envelhecimento da população é um fator determinante, elevando a demanda por serviços de saúde. Em países desenvolvidos, parte significativa da pressão recai sobre hospitais, planos de saúde e sistemas públicos. A ideia é que envelhecer não precisa significar adoecer.

Caminhos da transformação

O caminho não é apenas tratar; envolve prevenção, coordenação e monitoramento contínuo. Em países como Reino Unido e Canadá, já se pratica telemonitoramento e atenção primária estruturada para reduzir internações.

Ao avançar, cresce a opção pelo cuidado fora do ambiente hospitalar, com modelos como hospital at home. Tecnologias permitem tratar com segurança em casa, liberando leitos para casos complexos.

Papel do hospital do futuro

O hospital passa a atuar menos como local de tratamento de alta complexidade e mais como agente da jornada de cuidado. O objetivo é evitar a necessidade de procedimentos invasivos sempre que possível.

Para a sustentabilidade, é essencial inverter incentivos: valorizar a prevenção e a redução de procedimentos desnecessários, não apenas o volume de intervenções.

Perspectiva final

A transformação depende de pilares como a atenção primária fortalecida, uso de dados para antecipar riscos, acompanhamento contínuo e hábitos saudáveis. O futuro da saúde privilegia evitar condições graves.

Rogério Reis é médico e vice-presidente da Rede Américas.

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