Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Coletivo de saúde mental na periferia apoia mulheres em luto

Coletivo Flor de Cacto, no Capão Redondo, oferece acolhimento a mulheres enlutadas, criando rede de cuidado fora do sistema e abrindo caminhos de reconstrução

Terezinha de Jesus Freitas diz que suas dores crônicas sumiram após começar a participar das conversas
0:00
Carregando...
0:00
  • O Flor de Cacto, criado no Capão Redondo, acolhe mulheres em luto e trauma, com encontros quinzenais que privilegiam a escuta.
  • A história de Terezinha de Jesus Freitas mostra como o grupo ajudou a lidar com perdas violentas e a encontrar apoio comunitário, aliviando até dores físicas após as sessões.
  • O coletivo nasceu a partir de psicólogas que já atuavam na região e funciona como braço complementar aos serviços públicos de saúde mental.
  • O projeto está ligado ao Territórios Clínicos, da Fundação Tide Setúbal, que visa fortalecer iniciativas de cuidado em saúde mental nas periferias.
  • O objetivo é empoderar as mulheres, promover ressignificação e construir ferramentas de cuidado diante da violência e das desigualdades do território.

O coletivo Flor de Cacto, criado no Capão Redondo, em São Paulo, atua com mulheres em luto e trauma, oferecendo redes de cuidado fora do sistema tradicional. A iniciativa reúne histórias de perda e busca oferecer suporte coletivo e terapêutico.

A história de Terezinha de Jesus Freitas ilustra o que acontece. A aposentada perdeu o filho Luciano aos 18 anos, vítima de violência policial, há cerca de 20 anos. Anos depois, o segundo filho, Lucivaldo, foi morto em um assalto a caminho de uma quermesse.

Quando a tragédia se repetiu, Freitas, então copeira de 70 anos, mergulhou no sofrimento e acabou cogitando suicídio. Sem emprego e com responsabilidade sobre as netas, ela passou a frequentar encontros obrigatórios de famílias em cumprimento de medida socioeducativa, onde conheceu psicólogas ligadas ao espaço que mais tarde integrariam o Flor de Cacto.

A partir dessas vivências, Freitas encontrou na escuta das outras mulheres uma saída. Ela passou a relatar sua dor, que antes não admitia publicamente, e observou melhoria física após as sessões terapêuticas. Hoje, participa dos encontros quinzenais, principalmente oferecendo acolhimento a outras pessoas.

Saúde mental na periferia

O Flor de Cacto nasceu formalmente há dois anos, ouvindo demandas já existentes no território. Psicólogas atuantes na comunidade perceberam que, frequentemente, serviços públicos não atendem plenamente as necessidades locais. A iniciativa funciona como um braço de apoio complementar às redes de saúde existentes, articulando parceiros do território.

Cristiane Uchôa, uma das cofundadoras, explica que os grupos terapêuticos reúnem mulheres periféricas lidando com perdas de filhos, familiares e planos de vida interrompidos. O espaço funciona como ferramenta de fala, empoderamento e ressignificação, ajudando as participantes a construir caminhos para seguir adiante.

O Flor de Cacto está ligado ao projeto Territórios Clínicos, da Fundação Tide Setúbal, que busca fortalecer iniciativas de cuidado em saúde mental nas periferias. Fernanda Almeida, coordenadora do programa, destaca a importância de reconhecer que sofrimento e dor estão atravessados por contextos sociais e coletivos, o que amplia a escuta e abre caminhos de cuidado.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais