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Homens desafiam movimento red pill ao discutir masculinidade saudável

Homens que abandonam o movimento red pill adotam masculinidade saudável, enfrentam traumas e ajudam outros a lidar com vulnerabilidade

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  • Fabio Manzoli, 47 anos, deixou o mundo corporativo, passou a trabalhar com desenvolvimento emocional de homens e criou o programa online Hora H, além de mentorias e ações com meninos.
  • Thiago Oliveira, 42 anos, criador do movimento Homem Sem Tabu, usa redes para discutir tabus masculinos; revelou ter já recorrido a Viagra em algumas situações e afirma que continua aprendendo.
  • Ambos representam uma visão contrária a coaches que vendem fórmulas rígidas, promovendo vulnerabilidade, empatia e relações mais saudáveis entre homens e mulheres.
  • O sociólogo Sandro Justo vincula o crescimento do movimento red pill à crise do capitalismo contemporâneo e ao ressentimento de gênero, defendendo três pilares: letramento de gênero, criminalização da misoginia e regulamentação de plataformas digitais.
  • Justo reforça que os homens podem ser parte da solução, com educação transversal, políticas públicas e responsabilização pelo respeito e igualdade de gênero.

Dois homens criticam o movimento red pill ao defender uma masculinidade mais saudável e o cuidado com a saúde emocional. Fabio Manzoli, 47, e Thiago Oliveira, 42, afirmam ter superado rigidez de certos coachings e hoje ajudam meninos e homens a lidar com sentimentos, vulnerabilidade e relacionamentos.

Manzoli deixou a carreira corporativa após um mergulho em espiritualidade e autoconhecimento. Formado em administração pela FGV, ele relata ter passado por explosões na relação com mulheres e, com o tempo, reconheceu padrões nocivos. Hoje trabalha com desenvolvimento emocional masculino e sexualidade.

Oliveira, formado em biologia e estudando psicologia, criou o perfil Homem Sem Tabu para abordar tabus masculinos. Ele conta que uma conversa sobre Viagra o levou a refletir sobre como o machismo e a pressão por desempenho afetam homens jovens. Hoje produz conteúdo e atua em palestras.

Crise da masculinidade e o contexto social

Sociologistas apontam que o movimento red pill se conecta a um projeto político mais amplo e ao ressentimento de gênero. A narrativa, segundo especialistas, mistura misoginia, exaltação de riqueza e promessa de controle sobre as relações.

Outra linha de análise destaca a crise do capitalismo contemporâneo, com desemprego e precarização do trabalho. Para alguns jovens, discursos da machosfera parecem oferecer uma saída simples para a frustração frente a mudanças de papéis tradicionais.

Especialistas ressaltam ainda a necessidade de educação para o gênero desde a infância, regulamentação de conteúdos online e políticas que dignifiquem o trabalho. O debate envolve responsabilidade masculina e atuação coletiva para reduzir agressões e estigmas.

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