Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Louceiras de Maruanum, Amapá, abrem exposição no Rio

Exposição no Rio apresenta louceiras de Maruanum, primeira mostra fora do Amapá e possibilidade de reconhecimento do ofício tradicional

Macapá (AP), 10/08/2004 - 1ª exposição de louças de barro de Maruanum no Rio. Foto: Francisco Moreira da Costa/CNFCP
0:00
Carregando...
0:00
  • O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e a Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro abrem, no Rio de Janeiro, a exposição Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum, no dia 30, às 17h.
  • A mostra é a primeira fora do Amapá a reunir cerâmicas feitas com matéria orgânica do solo amazônico, unindo saberes indígenas e de matriz africana de Maruanum.
  • A produção envolve barro, cinzas da casca da árvore caripé ou caraipé e resina jutaicica extraída do jatobá; a queima e retirada do barro demandam cuidados específicos.
  • Atualmente, 26 pessoas mantêm a tradição, sendo 20 mulheres, com 208 peças criadas por 18 louceiros de Maruanum; 16 vilas formam o distrito quilombola, a 80 quilômetros de Macapá.
  • A exposição fica até 1º de julho e as peças podem ser adquiridas no Ponto de Comercialização Permanente do CNFCP, com visitações de terça a sexta (10h-18h) e sábado, domingo e feriados (11h-17h). No dia da abertura haverá roda de conversa às 15h com a guardiã Marciana Dias.

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e a Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro abrem no dia 30, às 17h, a exposição Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum, no Rio de Janeiro. A mostra fica aberta até 1º de julho, com entrada franca.

A exposição reúne peças feitas a partir de matéria orgânica do solo amazônico, produzidas por artesãs de Maruanum, distrito quilombola no Amapá. Pela primeira vez, cerâmicas que combinam saberes indígenas e de matriz africana circulam fora do estado.

A curadoria é do CNFCP/Iphan, unidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A pesquisadora Ana Carolina Nascimento acompanhou o trabalho em campo em outubro de 2025, com o fotógrafo Francisco Moreira da Costa, para fundamentar a mostra.

A pesquisa identificou dificuldades de obtenção da matéria-prima, o que adiou o projeto por mais de 15 anos. A sazonalidade da matéria-prima e limitações orçamentárias contribuíram para a demora, segundo a pesquisadora à Agência Brasil.

As louças utilizam barro, cinzas da queima da casca do caripé (Licania scabra) e resina jutaicica do jatobá (Hymenea courbaril). Cuidados com a retirada do barro e a queima são destacados como essenciais ao processo.

O momento ritual mais significativo ocorre após a retirada do barro, quando as artesãs modelam pequenas peças, ofertando-as ao barro como forma de agradecimento e proteção durante a queima, acompanhadas de cantos de marabaixo.

Reconhecimento

Atualmente, 26 pessoas mantêm viva a tradição, 20 delas mulheres, em 16 vilas do Maruanum, a 80 km de Macapá. Há também dois homens e quatro crianças envolvidas no ofício. A missão do Iphan é potencialmente ampliar o reconhecimento formal da prática como Patrimônio Imaterial.

O arqueólogo Michel Bueno Flores da Silva, superintendente do Iphan no Amapá, indica que o pedido de registro pode abrir caminho para a proteção do ofício e reforçar a presença do Amapá no cenário cultural nacional.

Entre os instrumentos de proteção, ele cita a defesa dos territórios de coleta, a transmissão intergeracional do saber e a valorização econômica alinhada à dimensão cultural e espiritual da prática.

Ana Carolina Nascimento antevê renovação do ofício com jovens. Ela destaca que dois meninos já envolvidos na produção podem inspirar novas iniciativas na comunidade.

O Ifap participa de projetos de educação patrimonial na região, oferecendo oficinas para ensinar o trabalho das louceiras. Acredita-se que novas gerações incentivem a continuidade da tradição.

Guardiã

No dia da inauguração, às 15h, haverá roda de conversa com a mestra Marciana Dias, guardiã do saber aos 85 anos e referência da louçaria de Maruanum. Participam Castorina Silva e Silva, Céllia Costa e Romaro Silva (Ifap).

Marciana Dias fundou a Associação de Louceiras em 1992 e é mestra do grupo de marabaixo, expressão de dança e canto do Amapá. Céllia Costa acompanha a prática desde 2011 e coordena o Cemadere, dedicado à educação patrimonial.

Ao todo, a mostra reúne 208 peças de 18 louceiros, com trabalhos de 16 adultos e duas crianças. As peças poderão ser adquiridas no Ponto de Comercialização Permanente do CNFCP, dentro da Sala do Artista Popular.

A exposição segue até 1º de julho e deve retornar, posteriormente, a Macapá e Maruanum. A visitação ocorre de terça a sexta, das 10h às 18h, e aos fins de semana e feriados, das 11h às 17h, na Rua do Catete, 179, Catete, Rio de Janeiro.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais