- O Arquivo Público do Estado da Bahia criou o projeto Fragmentos da Memória, que usa inteligência artificial para recriar retratos de pessoas escravizadas a partir de documentos históricos.
- As descrições de marcadores raciais presentes nos passaportes de escravizados foram convertidas em comandos de IA, com ajustes para evitar distorções ou feições estereotipadas.
- A equipe cruzou fontes como títulos de residência, cartas de ocorrência e inventários, e utilizou mais de uma ferramenta de IA para respeitar a dignidade das pessoas retratadas.
- O conjunto de documentos foi reconhecido pela UNESCO em fevereiro e passou a integrar o Registro Regional da Memória do Mundo da América Latina e Caribe; ele reúne registros de 1821 a 1889.
- Em julho do ano passado, o projeto lançou uma exposição com 40 retratos no Shopping da Bahia, em Salvador, para marcar o mês da consciência negra.
O Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) usa inteligência artificial para recriar retratos de pessoas escravizadas a partir de documentos históricos do Brasil colonial. O projeto Fragmentos da Memória transforma registros em imagens acessíveis, ampliando o debate sobre a preservação da história negra no país.
A iniciativa parte de passaportes de escravizados, documentos usados para controle de deslocamento entre províncias. Descrições de características físicas, como tamanho, cor dos olhos e tipo de cabelo, foram convertidas em instruções para ferramentas de IA.
Segundo Jorge da Cruz Vieira, o diretor do Apeb e idealizador do projeto, as informações nos documentos eram registradas por cartorários brancos, o que exigiu cuidado ao interpretar os marcadores raciais. Técnicas de IA precisaram de ajustes para evitar distorções.
Sobre o projeto
Desafios técnicos incluíram a dificuldade de retratar traços de pessoas negras e a criação de roupas e cenários com referências locais. Por isso, os retratos aparecem em fundo neutro e com trajes simples, definidos com base em pesquisas históricas.
A equipe utilizou o cruzamento de várias fontes, como títulos de residência, cartas de ocorrência e inventários, que também continham retratos falados. Foi adotada a combinação de diferentes ferramentas de IA para cada tipo de retrato.
Quatorze pessoas integraram a curadoria, formada por pesquisadores, historiadores e profissionais de tecnologia. O conjunto foi reconhecido pela UNESCO em fevereiro e passou a integrar o Registro Regional da América Latina e Caribe do Programa Memória do Mundo.
A mostra com 40 retratos foi inaugurada em julho do ano passado e teve abertura ao público no Shopping da Bahia, em Salvador, durante o mês da consciência negra. O objetivo é manter viva a memória de pessoas negras, livres e africanas registradas entre 1821 e 1889.
O diretor ressalta que as imagens devem continuar repercutindo para iluminar o trabalho dos arquivos públicos. A presença de pessoas negras em posições estratégicas é vista como essencial para ampliar o olhar sobre acervos históricos e promover novas leituras sobre o passado.
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