- Rino Levi (1901–1965), arquiteto ítalo-brasileiro e integrante da Escola Paulista de Arquitetura Moderna, ajudou a moldar a São Paulo da virada do século XX, fundando em 1927 o escritório Rino Levi Arquitetos Associados.
- Entre 1930 e 1960, criou projetos que dialogavam com a expansão urbana, a verticalização e novos programas culturais, como cinemas e conjuntos residenciais, destacando-se o Cine UFA-Palácio, o Edifício Columbus e o Edifício Prudência (em parceria com Roberto Burle Marx).
- Formou-se na Itália, com educação em Milão e Roma, e retornou ao Brasil para atuar como projetista, construtor e empresário, consolidando uma linguagem moderna atenta ao uso, à técnica e ao entorno.
- Destacou-se também na arquitetura hospitalar e na acústica arquitetônica, desenvolvendo projetos de circulação e fluxo em espaços de saúde, além de atuar internacionalmente em Caracas entre 1959 e 1961.
- Seu legado inclui a preservação de alguns prédios, a difusão da ideia de arquiteto integral e a recente reavaliação institucional, como a exposição de 2024 no Museu da Cidade de São Paulo, que ampliou o reconhecimento de sua importância na arquitetura brasileira.
Rino Levi foi um arquiteto ítalo-brasileiro cujas obras ajudaram a moldar São Paulo como metrópole ao longo do século XX. Sua atuação abrange desde residências até grandes equipamentos culturais, articulando técnica, urbanismo e vida urbana doméstica e pública. Entre 1930 e 1960, ele desenvolveu projetos que acompanharam a expansão da cidade, com uma linguagem moderna iniciando já na década anterior.
Integrante da primeira geração da Escola Paulista de Arquitetura Moderna, Levi fundou o escritório Rino Levi Arquitetos Associados em 1927. Sua produção dialoga com nomes como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, em um período de transformação urbana que consolidou a capital paulista como centro de inovação. Pesquisadores ressaltam que sua arquitetura sempre pensou a cidade, conectando espaço, uso e entorno.
Nascido em 1901, em São Paulo, Levi estudou na Itália, no Politécnico de Milão e na Escola Superior de Arquitetura de Roma, onde teve contato com a relação entre técnica e arte. Retornou ao Brasil em 1926 para iniciar a carreira, começando com pequenas residências para a comunidade italiana antes de fundar o seu escritório no ano seguinte.
Formação e primeiros anos
A trajetória de Levi ganhou contornos modernos após o encontro com a casa modernista de Gregori Warchavchik, na Vila Mariana. A partir de então, seus projetos passaram a incorporar referências modernas, mantendo atenção à vida urbana. Entre as primeiras obras destacadas estão o Edifício Columbus e o Edifício Guarani, que marcaram a transição para uma linguagem alinhada ao moderno, com influências do art déco europeu.
O Cine Ufa-Palácio, no Recife, e o Edifício Prudência, em Higienópolis, marcaram momentos de consolidação do estilo de Levi. A parceria com Roberto Burle Marx no paisagismo do Prudência é apontada como marco de combinação entre verticalização, áreas livres e jardins. Outras obras de destaque incluem o Instituto Sedes Sapientiae e o Edifício Sulacap.
Arquitetura como construção da cidade
O olhar de Levi sobre o espaço urbano ficou evidente na década de 1940, quando o Edifício Prudência evidenciou a integração entre moradia vertical e áreas de convivência. O Teatro Cultura Artística, o Cine Ipiranga e o Cine Universo também ampliaram os circuitos culturais de São Paulo, contribuindo para a consolidação de um urbanismo voltado para a vida cotidiana.
Levi também se destacou pela atuação em áreas técnicas, especialmente em acústica arquitetônica e em projetos hospitalares. No Hospital do Câncer, atual A.C. Camargo, ele propôs circulação pensada para reduzir cruzamentos de fluxos e riscos de contaminação, antevendo temas ainda atuais.
Últimos anos e projetos de Levi
Na segunda metade da carreira, Levi expandiu a atuação para projetos de maior escala urbana. Entre as propostas, o Plano Piloto de Brasília de 1957 ficou em terceiro lugar, com uma visão de cidade polinuclear e habitação como elemento central, em contraste com a decisão final de Lúcio Costa. Outros projetos dessa fase incluem a Usina de Leite Paraíba e o hangar da Tecelagem Paraíba, em São José dos Campos, com uso de concreto aparente e traços do brutalismo paulista.
O Centro Cívico de Santo André, também finalizado na década de 1960, consolidou uma lógica de conjunto urbano com volumes expressivos e organização rigorosa. Além disso, Levi manteve um papel acadêmico, contribuindo para a formação de novas gerações e para a regulamentação da prática profissional por meio de atuação no IAB.
Legado e preservação
Rino Levi faleceu em 1965, durante viagem pela Bahia em companhia de Roberto Burle Marx. Sua produção é reconhecida pela diversidade de frentes, ainda que parte de seus edifícios tenha sido demolida ou descaracterizada ao longo do tempo. Algumas obras, como a Residência Castor Delgado Perez, foram tombadas e hoje abrigam instituições culturais, evidenciando um esforço de preservação.
Recentemente, iniciativas de reavaliação da obra têm ganhado espaço, como uma exposição em 2024 no Museu da Cidade de São Paulo que reuniu desenhos e documentos do arquiteto. A mostra ajudou a reposicionar Levi no cenário da arquitetura moderna brasileira e a aproximar sua obra de novas gerações.
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