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Tolerância não é aprovação e discordar não é intolerância

História da tolerância em debate: de Aristóteles a Popper, defesa de liberdade de pensamento sem tolerar crimes ou violência

Não queremos enfraquecer o conceito de tolerância ao associá-lo à passividade, submissão ou omissão. A tolerância é ativa; exige coragem. Não equivale a deixar-se levar, mas é, ao contrário, uma escolha consciente (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
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  • A tolerância é uma prática ativa, não submissão: envolve conviver com diferenças sem impor crenças, sem confundir tolerar com aprovar.
  • Ao longo da história, destacam-se pensadores como Aristóteles, Marco Aurélio, Locke, Montesquieu, Voltaire, Kant, Mill, Popper e Marcuse, que discutiram limites, direitos e convivência entre crenças e estilos de vida.
  • O Paradoxo da tolerância de Karl Popper alerta que tolerar os intolerantes demais pode destruir a própria tolerância, especialmente quando há incitação à violência.
  • A visão contemporânea sustenta tolerância mútua: permitir diferenças sem criminalizá-las, defendendo a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, distinguindo ações criminosas de opiniões.
  • O texto defende que tolerância envolve diálogo, crítica e reflexão, mantendo valores pessoais sem silenciar o que é razoável ou justo, e enfatiza a importância de debates sem violência.

O texto discute o conceito de tolerância na prática cotidiana e na história, destacando que tolerância não é aprovação nem concordância automática. Ele aponta a soberba como obstáculo e a humildade como passo inicial para conviver com diferentes visões.

A obra sustenta que a tolerância é ativa e exige coragem. Ressalta que não se trata de passividade, mas de uma escolha consciente que permite convivência entre ideias distintas sem violência ou coerção.

Contexto histórico

O artigo revisita Aristóteles, que defendia equilíbrio entre excesso e falta, evitando o ressentimento, a inveja e crimes. Marco Aurélio enfatiza convivência serena com quem pensa diferente, sem hostilidade.

A narrativa acompanha o papel da religião na história, desde a tolerância romana às tensões com judeus e cristãos, chegando às perseguições e à centralidade religiosa no debate de tolerância a partir da Reforma.

Principais pensadores

Locke defende que a força não convence; a tolerância está na recusa de impor crenças. Montesquieu separa tolerar de aprovar, exigindo reciprocidade entre grupos. Voltaire denuncia a intolerância após o caso Calas e defende a tolerância como valor.

Kant valoriza a liberdade de pensamento e Mill, a soberania da pessoa sobre corpo e mente, limitando a intervenção da sociedade a prejuízos a terceiros. Popper avisa sobre o paradoxo da tolerância frente à intolerância.

Desdobramentos modernos

Marcuse critica a tolerância que sustenta opressões, propondo tolerância libertadora contra movimentos de direita. O texto reconhece que há exceções, com caminhos diferentes para lidar com extremos.

Harari sugere que ideologias modernas podem funcionar como religiões, gerando forte comprometimento e polarização. Campbell aponta a falta de mitos compartilhados que organizem valores na modernidade.

Definições e limites

A discussão propõe separar o que não pode ser aceito — crimes e violações — do que pode ser tolerado, desde que não parcele direitos. A tolerância deve ser mútua e não renunciar a valores.

O artigo conclui que questionar, debater e criticar, sem violência, não é intolerância; silenciar ou perseguir é intolerância. A tolerância busca re-humanizar e reduzir conflitos, mantendo a coragem de discordar.

Paulo Bernardelli Massabki, arquiteto pela USP, autor de artigos sobre temas diversos, compila as ideias apresentadas neste texto.

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