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Arquivos inéditos ajudam a investigar o passado nazista de familiares

Arquivos com 12,9 milhões de fichas de filiação ao Partido Nazista permitem pesquisar passados familiares, revelando vínculos antes ocultos

Henderson e Hitler, à direita, em um festival nazista em Nuremberg, em 7 de setembro de 1938. Entre eles estão, da esquerda para a direita: Eduardo Labougle, embaixador argentino, e José Joaquim de Lim e Moniz D’Arago, ministro brasileiro.
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  • Cerca de 12,9 milhões de fichas de filiação ao Partido Nazista estão reunidas e podem ser pesquisadas por sobrenome no site do jornal Die Zeit, com informações como data de nascimento e cidade de origem.
  • Os documentos sobreviventes representam parte de dois fichários — central e regional — recuperados pelos Estados Unidos em 1945, após uma tentativa de destruição. No total, ficaram preservados 44% do fichário central e 77% do regional.
  • A manufatura dos fichários começou com a transferência de papelada da sede do partido, a Casa Marrom, em Munique, para uma fábrica em Freimann; o processo foi interrompido pelo proprietário Hanns Huber.
  • Dados estatísticos dos arquivos indicam que, ao longo de cerca de vinte anos, 10,2 milhões de pessoas receberam cartões de filiação; o número de adesões explodiu após março de 1933, com pico no fim da guerra, quando o partido tinha cerca de 9 milhões de membros ativos.
  • Relatos de leitores do Die Zeit mostram que muitos descobrem parentes filiados, gerando entrevistas familiares, choque ou surpresa sobre o passado dos avós e tios.

A digitalização de cerca de 13 milhões de documentos do Partido Nazista está permitindo que famílias pesquisem a história familiar para saber se antepassados foram filiados ao regime. Os fichários, que contêm registros de filiação, foram obtidos pelos Estados Unidos em 1945 e hoje podem ser acessados via busca no site do jornal Die Zeit.

Os documentos não estavam secretos, mas só recentemente passaram a ter consulta facilitada pelo público. O Arquivo Nacional dos EUA já havia disponibilizado online parte do material em microfilme, porém sem possibilidade de pesquisa por nome.

O Die Zeit organizou as informações para permitir consultas por sobrenome, incluindo ficha de filiação, data de nascimento, cidade de origem e profissão. Em meio a relatos de leitores, surgem casos de descobertas surpreendentes sobre parentes próximos.

O que aconteceu e quem está envolvido

Ao final da Segunda Guerra, a liderança do Partido Nacional-Socialista transferiu fichários de Munique para uma fábrica de papel com a intenção de destruí-los. Um empresário local interrompeu a queima, e os arquivos foram entregue aos americanos no outono de 1945, para posterior catalogação.

Pouco tempo depois, os arquivos chegaram ao Centro de Documentação de Berlim. Existem dois fichários distintos, regional e nacional, com estimativas de sobrevivência entre 44% e 77%. Juntos, somam 12,9 milhões de fichas de filiação ao Partido Nazista.

Quando, onde e por quê

A divulgação ocorreu após a curadoria do Die Zeit, que reuniu relatos de leitores que encontraram filiação de familiares. Alguns relatos indicam que membros se filiaram entre 18 e 30 anos, com motivação original ligada a convicções ou a vantagens sociais. O período de adesões varia com a ascensão de Hitler ao poder, em 1933.

Os dados estatísticos ajudam a entender o perfil dos filiados. Entre os 20 milhões de membros estimados ao longo de duas décadas, 10,2 milhões receberam cartões de filiação. O crescimento foi acentuado a partir de 1933, com pico próximo ao fim da guerra.

Perfil dos filiados

As fichas não explicam motivos da filiação, mas a data de adesão indica contextos. Antes de 1933, adesões eram vistas com desconfiança; após a tomada do poder, associadas a vantagens pessoais. Em 1933, o partido chegou a suspender novas filiações temporariamente devido ao grande fluxo.

A partir do início dos anos 1930, a adesão expandiu-se entre homens jovens, especialmente nascidos entre 1900 e 1915. A maior parte dos filiados atuava nos setores público e privado, com alta presença de trabalhadores de serviços e profissionais liberais. Estudos apontam que nem todos participaram ativamente de crimes do regime.

Resultados e uso acadêmico

As fontes disponibilizam um retrato estatístico relevante para pesquisadores. A consulta por sobrenome permite identificar filiações históricas, ainda que não estabeleça participação em perseguições. Historiadores destacam que nem todos os associados atuaram de forma coercitiva.

Fontes e contexto

As informações foram reunidas pelo Die Zeit, que publicou relatos de leitores com descobertas sobre parentes. A base de dados, resultante da preservação de documentos, oferece um panorama documental para estudo histórico sem adotar interpretações. As informações devem ser usadas com cuidado, evitando generalizações sobre grupos familiares.

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