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Mundo corporativo é mais difícil que o esportivo, aponta psicóloga

Especialista ressalta que alta performance sustentável depende da saúde mental; NR-1 torna gestão de riscos psicossociais obrigatória, mudanças culturais são indispensáveis

A psicóloga expert em esporte e doutora pela UFRJ: ensinamentos para o universo corporativo (Foto: Planeta/Reprodução)
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  • Psicóloga Aline Wolff conecta performance de atletas de alto rendimento com o mundo corporativo, trazendo aprendizados para evitar adoecimento.
  • Seu livro Alta Performance Sustentável propõe manter o desempenho sem abrir mão da saúde mental, destacando valores, resiliência e propósito.
  • A NR-1 torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais nas empresas a partir deste mês, ampliando o foco para ambiente, gestão e cultura.
  • A autora afirma que a base da alta performance é a mente saudável, com autoliderança como pilar frágil em muitos profissionais.
  • Para que a saúde mental vire prática no trabalho, é preciso integrá-la à cultura organizacional, não tratá-la como benefício ou ferramenta isolada.

Entre o corredor olímpico e o profissional de empresa existem semelhanças na busca por metas sob pressão, o que pode levar ao adoecimento. Aline Wolff, psicóloga especializada em performance, acompanhou atletas do Comitê Olímpico Brasileiro e hoje aplica os aprendizados ao ambiente corporativo, visando alta performance sem comprometer a saúde mental.

Nos últimos anos, a prática esportiva de alto rendimento tem mostrado que a mente sustenta a performance. Wolff destaca que talento, disciplina e, principalmente, uma mente saudável são pilares de trajetória sólida, não apenas de resultados imediatos. Em seu livro recente, a especialista defende a integração entre bem-estar e desempenho.

O tema ganha destaque com a implementação da NR-1, que torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais nas empresas. Aline aponta que a mudança cultural é essencial: a saúde mental precisa deixar de ser tratado como benefício ou acessório e passar a fazer parte da cultura organizacional.

Desafios entre performance e saúde mental

Wolff explica que a oposição entre alta performance e bem-estar é comum, mas não necessária. O ambiente esportivo oferece clareza sobre a relação entre mente e resultado, o que facilita o trabalho com atletas. No corporativo, a relação ainda é menos explícita e a saúde mental muitas vezes fica à margem do trabalho.

Ela argumenta que, para sustentar resultados, é preciso estar emocionalmente estruturado mesmo em dias difíceis, quando cansaço, insegurança ou frustração surgem. A proposta é estabelecer práticas que integrem esforço, recuperação e propósito.

Autoliderança como pilar

Entre os pilares da alta performance sustentável, a autoliderança aparece como essencial, segundo a psicóloga. Em um cenário com excesso de estímulos, é crucial a clareza sobre quem a pessoa é, o que quer e por que faz o que faz. Sem isso, reage ao ambiente, em vez de conduzir a própria trajetória.

A autora ressalta que a autoliderança envolve responsabilidade, escolhas difíceis e sacrifícios necessários para construir novas oportunidades. Esse equilíbrio emocional é apontado como um dos aspectos mais frágeis na atualidade.

O caminho da NR-1 na prática

Para além da mudança legal, a efetividade da NR-1 depende da aplicação real pelas organizações. A mudança não é puramente jurídica, mas cultural: como as empresas integram a saúde mental ao dia a dia de gestão, ambiente e políticas internas. A adoção efetiva depende de ações concretas, não apenas de promessas.

Wolff observa que a presença da saúde mental como componente do trabalho pode ampliar a qualidade de vida e o desempenho. O desafio é evitar tratar o tema apenas como uma palestra ou benefício, buscando uma visão integrada do bem-estar no cotidiano profissional.

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