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Aneta Grzeszykowska fotografa retratos poéticos com máscara de si aos 14

Ao vestir a cabeça de si aos quatorze anos, a artista polonesa redefine identidade, explorando memória, família e a performatividade da arte

Aneta Grzeszykowska: DAUGHTER #34, 2025.
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  • A artista polonesa Aneta Grzeszykowska criou duas séries fotográficas que exploram identidade e maternidade: “Mama” (2018), com uma boneca que ela pediu à filha para brincar, e “Daughter” (2025), em que ela usa uma máscara da própria juventude aos 14 anos.
  • “Mama” faz parte da exposição New Humans, no New Museum, e já foi apresentada em contextos como Milk of Dreams, na Bienal de Veneza de 2022.
  • “Daughter” está em cartaz na galeria Lyles & King, no Lower East Side, até 9 de maio, e também integra a mostra coletiva Adolescence, na Galeria Zachęta, em Varsóvia.
  • Em “Daughter”, Grzeszykowska mistura o corpo de mais de cinquenta anos com a cabeça de 14 anos, explorando diferentes identidades durante a adolescência e o papel da família na produção da obra.
  • A artista descreve o processo como uma construção performativa, com direção dada a familiares ou animais de estimação e com a câmera acionada por temporizador, enfatizando a experiência de observar a imagem após sua criação.

Aneta Grzeszykowska, artista polonesa, volta a mostrar seu trabalho que transforma a própria identidade em tema central. As séries Mama, de 2018, e Daughter, de 2025, ocupam espaços distintos em Nova York e ajudam a entender a evolução de sua prática. Em Mama, ela criou uma boneca que representa metade de si e pediu que a filha pequena brincasse com ela. Em Daughter, a artista usa uma máscara com a cabeça de si aos 14 anos para compor retratos com familiares.

As obras atuais dialogam entre prática pessoal e contexto museal, ampliando a reflexão sobre maternidade, identidade e performance. Mama integra a exposição New Humans, no New Museum, que reabriu recentemente e apresenta uma visão ampla sobre o que é humano. Daughter aparece na galeria Lyles & King (Lower East Side), em cartaz até 9 de maio, e na exposição Adolescence, na Zachęta, em Varsóvia.

A trajetória de Grzeszykowska inclui a série Album, de 2005, formada por fotografias de família nas quais a artista se remove. O conjunto projeta uma presença ausente que se tornou parte central de sua linguagem. O conjunto de trabalhos põe em tela a pergunta sobre a construção da memória visual.

Processo criativo e técnica

A artista descreve que costuma introduzir objetos reais em cenas cotidianas, com familiares atuando como performers. No caso de Daughter, o uso de uma máscara com o rosto de 14 anos permite avançar e retroceder na narrativa de sua vida. A produção envolve a participação de familiares para deslocar a hierarquia na relação familiar.

Grzeszykowska explica que o making-of envolve direção de cena, porém a imagem final depende da reação de quem participa, já que a própria artista não controla o que os familiares farão diante da câmera. O resultado é observado pela fotógrafa apenas após as fotos serem reveladas.

Máscara, relações e recepção

Para a construção da máscara, a artista recorre a amigos da Academia de Belas Artes que produzem objetos cenográficos para cinema. A obra busca momentos de verdade em meio ao artificial, com o objetivo de provocar uma emoção no observador sem depender de elementos suplementares. A escolha do retratado foca na interação entre quem observa e quem é observado.

A relação com a filha, hoje com 15 anos, é central na prática. A jovem cresceu junto ao trabalho artístico da mãe, o que molda uma compreensão compartilhada da produção cultural familiar. Grzeszykowska afirma que, em sua visão, não há necessidade de debates sobre interpretações, já que o processo independe de pautas pedagógicas.

Contexto e impacto

A artista comenta que a relação entre maternidade e criação artística se mantém como eixo de suas obras. Mama está inserida em um pano de fundo que inclui ciência, cinema e objetos não convencionais, propondo uma leitura ampla sobre o que pode ser considerado arte. Ela valoriza a fusão entre produções artísticas e objetos não tradicionais para ampliar o campo de interpretação.

Grzeszykowska vê a exposição New Humans como um espaço que não restringe a arte a cânones estritos, unindo obras de diferentes origens, incluindo experiências médicas e adereços de cinema. No conjunto, a artista oferece uma visão de mundo onde o performativo, o vivido e o imaginário coexistem para revelar a complexidade humana.

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