- Um grupo de mulheres liderado pela Midi Health se encontra com autoridades da FDA em 6 de maio para tratar a escassez dos adesivos de estrógeno usados na menopausa.
- A falta persiste desde o início do ano; a FDA diz estar conversando com os cinco maiores fabricantes para manter a produção, embora ainda não classifique oficialmente como shortage.
- Pesquisa da Midi com mais de oito mil mulheres em 49 estados mostra que quase metade tem dificuldade para preencher a prescrição e 1 em cada 10 interrompeu o tratamento.
- Cerca de um terço das entrevistadas afirma que a escassez afeta a saúde, e a grande maioria não confia em conseguir a próxima receita.
- A terapia com estrógeno traz benefícios como alívio de sintomas, proteção óssea e impactos na pressão arterial e humor; algumas fabricantes apontam complexidade de produção e ajustes de capacidade, com a Bayer já fora do mercado desde 2023 e a Sandoz aumentando o fornecimento.
A FDA irá receber nesta semana um grupo de mulheres liderado pelos fundadores da Midi Health para discutir a escassez de adesivos de estrogênio, medicamento mais comum no tratamento da menopausa. O encontro está marcado para quarta-feira, 6 de maio, nos EUA, em Washington. A reunião ocorre enquanto fabricantes tentam aumentar a capacidade de produção e as pacientes relatam dificuldade de acesso.
Dados de uma pesquisa realizada pela Midi indicam que quase metade das entrevistadas relatou dificuldade para obter as prescrições de adesivos de estrogênio desde o início do ano. O levantamento contou com mais de 8 mil respostas de mulheres de 49 estados. Cerca de 10% disseram ter interrompido o tratamento e 90% não tinham confiança de conseguir a próxima receita.
A gravação da conversa com a FDA chega em meio a discussões sobre o rótulo e a demanda. A agência informou, em abril, que está conversando com as cinco maiores fabricantes de adesivos para avaliar a capacidade produtiva, sem classificar a situação como uma escassez formal. Profissionais de saúde divergem sobre o status atual das prateleiras.
Contexto e impacto
A substituição hormonal, que muitas vezes envolve estrogênio com progestina, é preferida para a menopausa. O adesivo ajuda a reduzir caloramentos, irritabilidade, além de favorecer ossos, pressão arterial, humor e memória. A preocupação é que a indisponibilidade prejuque o tratamento e a qualidade de vida das pacientes.
Estatuariamente, algumas fabricantes já cessaram a produção de adesivos, como a Bayer em 2023. A Sandoz, maior fabricante remanescente, trabalha para ampliar a capacidade global e tem apresentado medidas para direcionar remessas adicionais aos EUA enquanto ajusta a produção.
A discussão envolve ainda fatores históricos: a divulgação de riscos associou a terapia a maiores chances de câncer de mama, eventos cardíacos e derrames em pacientes mais velhas, o que reduziu consideravelmente o uso ao longo das últimas duas décadas. Atualmente, muitos médicos mantêm o tratamento por mais tempo, acompanhando a evolução clínica.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas apontam que a demanda cresce com o aumento do acesso ao atendimento de menopausa. A midi aponta que o problema não é a demanda, mas a capacidade de fabricação. As organizações de saúde observam a necessidade de ampliar opções de tratamento e cobertura para diferentes formas de administração, como géis e cremes, que costumam ter custos mais elevados e menos cobertura.
Em meio ao cenário, iniciativas de telemedicina e maior disponibilidade de profissionais especializados em menopausa têm ganhado impulso. A discussão na FDA deve trazer clareza sobre prazos de normalização de fornecimento e possíveis medidas regulatórias para evitar novas interrupções.
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