- O ator Lima Duarte, 96 anos, recebeu o Troféu especial 75 anos da TV Brasileira na cerimônia da APCA, realizada na noite de 4 de maio, e gerou protestos ao falar sobre prostitutas pretas.
- No discurso, ele relatou que, aos 15 anos, se negou a ir a uma zona de prostituição por haver apenas mulheres negras, o que gerou reação entre presentes.
- Carmen Luz, premiada, destacou a importância das mulheres pretas na arte e foi ovacionada; Shirley Cruz também elogiou a resistência e a presença das brasileiras negras.
- Grace Passô, diretora da ópera premiada Porgy and Bess, ressaltou a contribuição das mulheres negras para a noite e sua repercussão na celebração.
- Em nota à Folha de S. Paulo, Duarte afirmou que a fala foi memória de infância e protesto envolvendo uma luta de todos, e que buscou retratar um tempo difícil no Brasil.
O ator Lima Duarte, de 96 anos, gerou protestos ao mencionar prostitutas pretas durante o discurso da premiação da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA). O evento ocorreu na noite de 4 de maio, quando o artista foi homenageado com o Troféu especial 75 anos da TV Brasileira.
No momento da entrega, Duarte contou uma experiência de sua adolescência ao afirmar que, aos 15 anos, recusou ir a uma zona de prostituição por apenas encontrar mulheres negras. A fala foi recebida com reação de parte do público presente e das premiadas, que passaram a cobrar tratamento digno e igualitário na esfera artística.
Reações
Entre as premiadas que se manifestaram, Carmen Luz, vencedora na categoria Programa/Memória/Projeto/Difusão, defendeu a importância da representatividade das mulheres negras no samba e na cidade de Campinas. Shirley Cruz, vencedora de Melhor Atriz pelo filme A Melhor Mãe do Mundo, ressaltou a prosperidade das ancestrais e a legitimidade das conquistas recentes das mulheres negras. Grace Passô, diretora da ópera Porgy and Bess, destacou a relevância do discurso de Carmen Luz para reconhecer a presença feminina negra na arte.
À Folha de S. Paulo, Lima Duarte afirmou, por meio de nota, que a memória relatada representa um Brasil duro da infância de um garoto sem formação, vivida na rua. A mensagem, segundo ele, foi apresentada como retrato de tempo e forma de protesto, não como posição ofensiva, buscando valorizar lutas coletivas.
O Terra informou que tentou contato com a assessoria do ator e com a APCA para esclarecer o incidente. Não houve publicação de novo posicionamento oficial até o fechamento desta edição.
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