- Documentário de Karol Maia, “Aqui Não Entra Luz”, aborda a segregação de espaços para empregadas domésticas nas casas brasileiras, seguindo a trajetória de cinco mulheres.
- Uma das protagonistas é Miriam Mendes, mãe da diretora, que também assina o roteiro e a direção do longa.
- O filme entrou em cartaz na última terça-feira (7) e traz relatos de mulheres que trabalham como empregadas em diferentes estados.
- A narrativa liga a arquitetura das moradias à forma de remuneração e às relações de classe no Brasil, destacando as condições do trabalho doméstico.
- Em 22 de abril, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Complementar 18/25 para proibir termos como “quarto de empregada” em projetos arquitetônicos; a relatora afirma ser uma reparação histórica necessária.
O documentário Here Não Entra Luz, de Karol Maia, estreou nos cinemas na terça-feira (7). O filme aborda a segregação de espaços nas casas brasileiras, especialmente os quartos de empregada, vistos a partir das dependências onde trabalhavam domésticas. A obra acompanha cinco mulheres que atuam ou atuaram nesse setor.
Entre as protagonistas está Miriam Mendes, mãe da diretora, que também assina roteiro e direção. As experiências vividas pela cineasta com a mãe durante a infância moldam a narrativa, que revela como a arquitetura doméstica impõe barreiras de classe no país. O longa de estreia faz esse recorte histórico e social.
Rosarinha, de Minas Gerais, é uma das histórias narradas. Ela foi levada para uma cidade vizinha ao interior onde nasceu, com promessas não cumpridas. Hoje, morando em Belo Horizonte, Rosarinha continua na profissão, com a expectativa de reduzir a rotina de trabalho e conquistar a aposentadoria.
A diretora identifica a herança colonial nesses espaços, destacando que a arquitetura de casas grandes abriga áreas de serviço separadas dos ambientes de convivência. O filme, iniciado em 2017, mapeou fontes em Rio de Janeiro, Minas, Bahia e Maranhão, visitando Casas Grandes e Senzalas.
Ação institucional e debates
No dia 22 de abril, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Complementar 18/25, que proíbe o uso das expressões quarto de empregada, dependência de empregada e similares em projetos arquitetônicos. A proposta é de Denise Pessôa.
Relatora Marcivania afirmou que a mudança representa reparação histórica e promoção de relações de trabalho mais respeitosas. A proposta é vista como passo simbólico para desconstruir a cultura de servidão associada a esses termos.
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