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Mãe de Maio diz que filhos pagaram por guerra que não era deles

Vinte anos após os Crimes de Maio, mãe de Edson Rogério cobra responsabilização do Estado e reparação, enquanto a violência persiste

Débora Maria da Silva perdeu o filho Edson Rogério Silva dos Santos, há 20 anos, assassinado pela PM de São Paulo
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  • Há vinte anos, Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora Maria da Silva, foi morto com cinco tiros no dia seguinte à celebração do Dia das Mães, após abastecer a moto em um posto na Baixada Santista.
  • Os Crimes de Maio ficaram marcados por ataques do Primeiro Comando da Capital e por uma onda de violência promovida por agentes policiais e grupos de extermínio, entre 12 e 21 de maio de 2006, cuja soma de vítimas ultrapassou cinco centenas.
  • Débora ajudou a fundar o movimento Mães de Maio, que reúne mães, familiares e amigos de vítimas da violência do Estado, buscando justiça, memória e reparação.
  • Em atuação recente, o movimento, junto com Conectas Direitos Humanos, entregou à Organização das Nações Unidas um documento cobrando não prescrição e responsabilização do Estado.
  • O tema será revisitado no programa Caminhos da Reportagem, com o episódio Crimes de Maio, 20 anos sem Respostas, que vai ao ar nesta segunda-feira na TV Brasil.

Os filhos de Débora Maria da Silva foram vítimas de violência estatal associada aos Crimes de Maio, episódio ocorrido em 2006 na Baixada Santista. Edson Rogério Silva dos Santos, então com 29 anos, foi morto no dia 15 de maio, após uma sequência de confrontos entre grupos criminosos, agentes de segurança e operações de extermínio. O assassinato ocorreu no contexto de uma crise de violência que deixou mais de 500 pessoas mortas entre 12 e 21 de maio, em sua maioria jovens negros da periferia.

Débora reuniu a família para comemorar o Dia das Mães, no dia 14 de maio, aniversário de 48 anos recém-completado. No dia seguinte, o filho foi assassinado após uma parada para abastecer a moto em um posto de gasolina, em circunstâncias que envolvem atuação policial e atuação de facções. A mãe descreve o episódio como o desfecho de uma noite de dor que começou com o presente de aniversário.

Quase duas décadas depois, as lembranças seguem presentes na vida de Débora. O falecimento do filho, ocorrido pouco depois da celebração, é visto por ela como parte de uma violência promovida pelo Estado, com a soma de uma execução e de omissão institucional. O caso permanece marcado pela falta de responsabilização de agentes envolvidos e pela ausência de reparação às famílias de vítimas.

Memória e luta por reparação

No pós-massacre, Débora ajudou a fundar o movimento Mães de Maio, rede que reúne mães, familiares e amigos de vítimas da violência do Estado. O grupo atua pela memória das vítimas, pela responsabilização de agentes e pela reparação às famílias. Em 2026, o movimento participou de um apelo à ONU, em parceria com a organização Conectas Direitos Humanos, solicitando atenção internacional à prescrição de processos e à necessidade de esclarecimentos.

Para Débora, Edson Rogério foi vitimado por violência estatal que envolve tanto ações diretas quanto omissão. Ela enfatiza que as mortes não podem ser naturalizadas e que o trabalho do movimento busca dar nomes, rostos e histórias aos jovens que perderam a vida. Em seu relato, o impacto vai além do luto, alcançando a saúde mental e a mobilização contínua por justiça.

A luta de Débora e das Mães de Maio persiste como marco de memória e de resistência. O grupo mantém o objetivo de transformar dor em cobrança por políticas de segurança pública mais humanas e responsáveis. Em âmbito público, o movimento continua a cobrar investigações, responsabilização de agentes e reparações devidas às famílias afetadas.

Próxima transmissão

O tema será revisitado pelo programa Caminhos da Reportagem, com o episódio Crimes de Maio, 20 anos sem Respostas. A produção será exibida na TV Brasil, em 11 de maio, às 23h, trazendo relatos e análises sobre o legado daquele período e as ações atuais das famílias que ainda buscam justiça.

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