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Lavagem da Escadaria do Bixiga reforça presença negra no centro de SP

Bloco Ilú Obá de Min reafirma presença negra no centro de São Paulo com lavagem da Escadaria do Bixiga, denunciando falsa liberdade

São Paulo (SP), 13/05/2026 - Lavagem da Escadaria do Bixiga. Foto: Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil
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  • Cortejo liderado pelo bloco afro Ilú Obá de Min percorreu o Bixiga na noite de hoje (13), com água de cheiro, tambores e vozes das mulheres negras.
  • A ação é um manifesto político, cultural e simbólico contra o que o grupo chama de falsa liberdade e falsa abolição, ocorrendo no dia da celebração da Abolição da Escravatura.
  • O Bixiga é lembrado como região historicamente negra, antes conhecida como Pequena África, onde existiu o Quilombo Saracura e o samba paulistano se desenvolveu.
  • O manifesto reforçou a importância das mulheres negras na luta por liberdade e combate a opressões como racismo, machismo e capacitismo, destacando o tambor como instrumento de comunicação.
  • A lavagem da rua, iniciada pelo coletivo Ori Axé e hoje realizada pelo Ilú Obá de Min, é vista como legado de resistência e reafirma a presença negra no território, com o bloco cumprindo 20 anos em 2024 e cerca de 420 integrantes.

Um cortejo formado majoritariamente por mulheres negras percorreu as ruas do Bixiga, no centro de São Paulo, na noite desta terça-feira. O ato, liderado pelo bloco afro Ilú Obá de Min, aconteceu com água de cheiro e o som de tambores e vozes, em uma demonstração de identidade e resistência.

O objetivo é reafirmar a presença negra no centro da capital paulista e contestar narrativas associadas a uma suposta liberdade e abolição. O movimento já ocorre desde 2006 na Rua 13 de Maio e na Escadaria do Bixiga, sempre no dia da celebração da Abolição da Escravatura.

Beth Beli, presidenta e regente do bloco, explicou que a lavagem do Bixiga busca iluminar narrativas históricas e dar voz às mulheres negras. O tambor é visto como ferramenta milenar de comunicação, amplificando mensagens do grupo.

A escolha pela região tem relação com a história local, marcada pela presença negra e pelo surgimento do samba paulistano. O Bixiga já foi conhecido como Pequena África no início do século XX, contexto que o movimento relembra para enfatizar a permanência da presença negra.

Um manifesto distribuído ao público reforçou a luta histórica das mulheres negras, destacando a mobilização contra opressões como racismo, machismo e discriminações associadas à orientação sexual e identidade de gênero. O texto afirma a continuidade da participação feminina nas lutas.

Após a leitura, o Ilú Obá de Min saiu em cortejo pelas vias do bairro para lavar as ruas com água de cheiro, simbolizando a força da voz, do corpo e do batuque. O ato é apresentado como resposta a uma suposta “falsa abolição” e como forma de resgatar uma história de mais de 500 anos.

A lavagem de rua no Bixiga é uma tradição que começou com o coletivo Ori Axé e passa a ser realizada pelo Ilú Obá de Min. O bloco, fundado por Beth Beli, Adriana Aragão e Girlei Miranda, reúne cerca de 420 integrantes entre bateria e corpo de dança, celebrando 20 anos em 2024.

Desde a sua criação, o Ilú Obá de Min costuma abrir as festividades do carnaval de rua de São Paulo, reforçando o papel histórico das mulheres negras nas pautas culturais e sociais da cidade. O movimento afirma manter a memória de origens e a resistência cotidiana.

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