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Discursos masculinistas roubam a ansiedade dos meninos, diz documentarista

Juíza aponta aumento de 186% na violência de adolescentes contra mães e avós no Rio desde 2024, com painel sobre masculinismo e educação

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  • Juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, participou de painel no São Paulo Innovation Week para debater violência de gênero envolvendo adolescentes.
  • Ela informou aumento de 186% desde 2024 na violência doméstica praticada por adolescentes do sexo masculino contra mães e avós no Rio de Janeiro.
  • O painel contou com Ismael Augusto dos Anjos, documentarista de O Silêncio dos Homens, e a jornalista Mariliz Pereira Jorge; o tema foi o descompasso entre meninos e meninas na igualdade de gênero.
  • Os panelistas apontaram dois fatores principais: um gap educacional que leave meninos sem referências positivas de masculinidade e o crescimento do discurso masculinista na internet.
  • A jurista destacou a necessidade de combate aos discursos masculinistas para evitar piora, defendendo afeto, educação e inclusão de meninos em aprendizados sobre sentimentos e limites da violência.

A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, ganhou notoriedade por tratar de casos de violência envolvendo adolescentes. Durante o São Paulo Innovation Week, ela participou de um painel que discutiu o tema da violência de gênero entre jovens, destacando casos recentes.

Dados de um levantamento realizado pela magistrada apontam um aumento expressivo da violência praticada por adolescentes do sexo masculino contra mães, avós e outras jovens. O aumento observado desde 2024 chegou a 186% no Rio de Janeiro, evidenciando uma tendência preocupante no âmbito doméstico.

Além disso, a presença de discurso masculinista na internet é citada como fator que amplia a dessensibilização de jovens à violência de gênero. Em defesa de políticas de educação emocional, a juíza ressaltou que a violência não está apenas na prática, mas também na forma como é normalizada na sociedade.

O documentarista e jornalista Ismael Augusto dos Anjos, coordenador do projeto O Silêncio dos Homens, participou do painel Gap Civilizatório: A Urgência de Um Novo Código Social entre Homens e Mulheres. A conversa contou com a participação da jornalista Mariliz Pereira Jorge, especialista em gênero, que mediou o debate.

Os especialistas destacaram dois motores para o desalinhamento entre meninos e meninas quanto à igualdade de gênero. O primeiro está ligado à educação e à formação familiar, que, segundo os convidados, não evolui de forma igual para ambos os gêneros. O segundo envolve o efeito ampliado das redes e da pornografia na construção de masculinidades.

Para Vanessa Cavalieri, a angústia de jovens que chegam a comportamentos agressivos costuma ter raízes em sentimentos de pertencimento e busca por conexão. A juíza defende que avanços contra a violência passam pela educação e pelo afeto, evitando que a violência se normalize entre os mais jovens.

Dos Anjos aponta a necessidade de enfrentar os discursos masculinistas que capturam a ansiedade de meninos e adolescentes. Ele ressalta a importância de descontruir noções de masculinidade associadas a dominar o espaço familiar e de ensinar a expressar emoções de forma saudável.

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