- Golpe da recompensa usa inteligência artificial para criar imagens falsas do animal desaparecido, com detalhes que parecem reais a partir da publicação original e do anúncio do tutor.
- Os criminosos pesquisam anúncios de pets perdidos, pegam contatos dos tutores e geram imagens do animal específico para explorar o emocional das vítimas.
- Eles exigem pagamento via Pix para devolver o bichinho, às vezes alegando ter comprado o animal de terceiros ou precisar do dinheiro para não ficar no prejuízo, e somem após a transferência.
- Em casos mais graves, chegaram a enviar imagens de armas para sugerir que poderiam machucar o animal, tudo ficção criada com IA, sem que o criminoso tivesse visto o animal.
- Medidas de proteção: não enviar dinheiro sem ver o animal, pedir vídeo ao vivo, solicitar detalhes que só o tutor sabe, combinar encontro público, desconfiar de pressa/ Pix, comparar fotos com características do animal, registrar denúncias e usar ferramentas de checagem de IA para analisar as imagens.
Entre anúncios de animais desaparecidos e a rápida circulação de prints de redes sociais, surge uma fraude que utiliza IA para extorsão. O golpe, conhecido como Golpe da Recompensa, começa quando criminosos vasculham a internet em busca de tutores que divulgaram o cão ou gato perdido. Em seguida, criam imagens falsas do animal com ferramentas de IA e pedem dinheiro para devolvê-lo.
As imagens não são genéricas: são do animal específico, com marcas descritas na publicação, detalhes que costumam soar reais aos olhos de quem perdeu o bichinho. Mesmo quando pequenos erros aparecem, o impacto emocional pode levar a vítima a acreditar na devolução iminente. O golpe costuma envolver mensagens de que o animal está em um carro e que a recompensa é necessária para trazê-lo de volta.
Em muitos casos, o ladrão solicita pagamentos via Pix e some após o recebimento. Houve situações em que o golpista enviou imagens de armas para intimidar, embora o animal nunca tenha chegado perto. Relatos sobre esse tipo de golpe chegam a jornalistas e protetores de animais que atuam em perfis dedicados à busca de animais desaparecidos.
Andrea Giusti, jornalista e protetora de animais, coordena o perfil Procura-se Cachorro, que reúne relatos de cães e gatos perdidos. Segundo ela, a prática é frequente e merece atenção cuidadosa. Giusti alerta que a recomendação de oferecer recompensa não deve ser descartada, pois pode favorecer a devolução, desde que tomadas as precauções certas.
Como se proteger
- Não peça ou envie dinheiro antes de confirmar a localização do animal.
- Solicite vídeo em tempo real, preferencialmente por vídeo chamada.
- Peça detalhes que só o tutor conhece (manchas, coleira, nome).
- Combine encontro em local público e com comprovantes.
- Desconfie de pressa associada a pedidos de Pix ou transferência.
- Compare características da foto: olhos, orelhas, pelos.
- Evite negociações apenas por texto.
- Registre capturas de tela e denuncie o perfil.
Outra dica prática é salvar a imagem recebida e perguntar a plataformas de IA como ChatGPT ou Gemini para analisar se a imagem foi gerada. Em alguns casos, ferramentas de IA conseguem apontar indícios de manipulação com mais precisão do que observação casual.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos
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