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Proteção à infância avança com o recuo do silêncio

Anuário aponta mais de 87 mil casos de estupro em 2025, com 77,7% das vítimas até 14 anos; redes de proteção ganham urgência

Adolescente acolhida pela Associação Meninadança/Casa Rosa, que oferece aulas de dança e artesanato para meninas e adolescentes em situação de risco em Cândido Sales (BA), cidade na beira da BR-116 - Mathilde Missioneiro - 29.nov.21/Folhapress
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  • Em dois mil e vinte e cinco, foram registrados no Brasil mais de oitenta e sete mil casos de estupro, sendo setenta e sete vírgula sete por cento das vítimas crianças e adolescentes de até catorze anos.
  • A violência ocorre também em contextos de vulnerabilidade social e em espaços de grande circulação, como rodovias e pontos de parada, exigindo atuação integrada entre poder público, sociedade civil e transporte.
  • O setor de transporte tem sido protagonista na prevenção e intolerância a qualquer forma de abuso, com motoristas e profissionais atuando na identificação de situações suspeitas e no encaminhamento de denúncias.
  • A Polícia Rodoviária Federal identificou dezessete mil seiscentos e oitenta e sete pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais, mostrando a dimensão do problema.
  • Ainda há subnotificação significativa (sessenta e nove por cento dos abusos ocorrem dentro de casa); é preciso ampliar prevenção, informações, canais de denúncia e formação de profissionais para romper o silêncio.

O Brasil vive uma realidade de silêncio em torno da violência sexual contra crianças e adolescentes, tema destacado no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Dados recentes mostram uma gravidade que não pode ser ignorada.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados mais de 87 mil casos de estupro em 2025, dos quais 77,7% envolviam crianças e adolescentes com até 14 anos. Embora haja proximidade de adultos de confiança, a vulnerabilidade persiste em diversos contextos sociais.

Áreas de grande circulação, como rodovias e pontos de parada, concentram riscos adicionais e demandam atuação permanente. O transporte aparece como espaço estratégico para fortalecer redes de proteção e prevenir abusos.

A participação do setor de transporte é estratégica. Motoristas e profissionais atuam na identificação de situações suspeitas, no encaminhamento de denúncias e no fortalecimento de redes de proteção, ao lado de poderes públicos e sociedade civil.

Experiências recentes ilustram resultados da cooperação entre setores. Na Polícia Rodoviária Federal, foram identificados 17.687 pontos vulneráveis à exploração em rodovias federais, destacando a necessidade de ações contínuas.

O Projeto Proteção, conjunto do Sest/Senat com a Childhood Brasil, atua há dez anos para conscientizar profissionais do transporte e comunidades impactadas, alcançando centenas de milhares de pessoas no país.

Apesar dos avanços, ainda há déficits. É essencial ampliar políticas de prevenção, ampliar o acesso à informação e incentivar o uso de canais de denúncia existentes. A subnotificação persiste como entrave, alimentada pelo medo, dependência e silêncio familiar.

Especialistas destacam a necessidade de preparar profissionais de diversas áreas para reconhecer sinais de violência e agir. O ambiente digital exige respostas rápidas diante de novas formas de exploração que surgem com frequência.

Este 18 de maio deve marcar um ponto de inflexão: proteger a infância é um dever coletivo. O silêncio não protege, ele normaliza a violência e sustenta a impunidade. Romper o silêncio é o primeiro passo para mudanças reais.

Rodovias e pontos de vulnerabilidade

A atuação de forças de segurança identificou 17.687 pontos vulneráveis à exploração em rodovias federais, evidenciando a magnitude do problema em áreas de tráfego intenso.

Ações de prevenção e parcerias

Iniciativas como o Projeto Proteção fortalecem a conscientização entre profissionais do transporte e comunidades, contribuindo para prevenção e resposta.

Desafios e próximos passos

É preciso ampliar políticas públicas de prevenção, reduzir a subnotificação e ampliar o debate sobre os impactos do ambiente digital na exploração infantil.

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