- A norma regulamentadora NR-1 foi atualizada para incluir fatores psicossociais na gestão de riscos no trabalho.
- As empresas têm até o fim de maio para incorporar as novas diretrizes.
- Em dois mil e vinte e cinco, um em cada sete trabalhadores foi afastado por transtornos mentais e comportamentais, totalizando cerca de 546 mil casos.
- Os dados mostram o maior número já registrado, indicando a necessidade de mudança na cultura organizacional para reconhecer carga de trabalho, gestão, metas e ambiente como potenciais fatores de adoecimento.
- A especialista Karen Scavacini destaca que a saúde mental deve ser tratada como risco ocupacional dentro da estrutura da empresa, com lideranças qualificadas, canais de escuta, metas justas, prevenção de assédio, políticas claras e acompanhamento contínuo dos riscos psicossociais.
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ganhou destaque ao incluir fatores psicossociais na gestão de riscos no ambiente de trabalho. A atualização reflete o aumento de afastamentos por saúde mental entre trabalhadores, com prazo até o fim de maio para implementação das novas diretrizes.
Segundo dados do INSS, em 2025 houve um afastamento por transtornos mentais e comportamentais que impactou aproximadamente 1 em cada 7 trabalhadores. O total de ocorrências alcançou cerca de 546 mil casos, o maior registro histórico nesse componente da saúde ocupacional.
A mudança na NR-1 aponta para uma necessidade de transformação da cultura organizacional. A adoção de parâmetros que reconheçam carga de trabalho, modelo de gestão, metas e ambiente como potenciais fatores de adoecimento é o caminho apontado pela prática atual.
Para a psicóloga Karen Scavacini, fundadora do Instituto Vita Alere, a incorporação desses fatores na NR-1 valida a realidade de muitos trabalhadores. Ela afirma que a norma transforma a saúde mental em tema estruturante, não apenas campanha de curto prazo.
A especialista destaca ainda que, em muitos ambientes, o tema foi rapidamente incorporado sem que a cultura organizacional acolhesse adequadamente certas situações. Existe uma lacuna entre falar sobre saúde mental e criar ambientes que acolham o sofrimento sem medo de julgamento.
Scavacini aponta que o primeiro passo é abandonar a visão da saúde mental como assunto individual. Em vez disso, é preciso entender que elementos do ambiente de trabalho podem adoecer pessoas. Entre as medidas citadas estão formação de lideranças, canais de escuta seguros, revisão de metas abusivas, prevenção de assédio, políticas claras e acompanhamento contínuo dos riscos psicossociais.
Ela reforça que as empresas devem agir antes que haja adoecimento grave, integrando a gestão de riscos psicossociais à rotina de gestão de pessoas. Com a mudança, o tema da saúde mental passa a fazer parte da estrutura organizacional, segundo a especialista.
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