- A Polícia Civil prendeu oito suspeitos na capital paulista, durante a Operação SP Advocacia Mais Segura, de um grupo que usava IA para clonar vozes de advogados e aplicar golpes.
- O esquema funcionava por meio de uma central telefônica e enviava falsas decisões judiciais para induzir transferências, movimentando cerca de R$ 10 milhões entre outubro de 2025 e abril deste ano, com uma investigada responsável por R$ 3 milhões.
- Doze vítimas foram identificadas em cidades do interior e litoral de São Paulo, como São José do Rio Preto, Novo Horizonte, Paulínia e Bauru; uma delas perdeu R$ 35 mil.
- A investigação aponta atuação estruturada com alcance nacional; foram expedidos 10 mandados de prisão temporária, 15 de busca e apreensão, além de sequestro de bens para ressarcimento.
- A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo informou que o golpe usa dados públicos e engenharia social; recomenda confirmar informações por canais oficiais e não transferir dinheiro a terceiros.
A Polícia Civil prendeu oito suspeitos de integrar uma organização criminosa que operava o golpe do falso advogado, em São Paulo. A ação aconteceu nesta terça-feira durante a Operação SP Advocacia Mais Segura. O grupo utilizava uma central telefônica e inteligência artificial para clonar vozes de advogados reais, convencendo as vítimas a transferir dinheiro.
Segundo as investigações, a quadrilha movimentou cerca de 10 milhões de reais entre outubro de 2025 e abril deste ano. Apenas uma investigada teve participação direta em um repasse de 3 milhões. As investigações indicam atuação estruturada com alcance nacional, com indícios de vítimas em outros estados.
A polícia informou que 12 pessoas foram identificadas como vítimas nos municípios de São José do Rio Preto, Novo Horizonte, Paulínia e Bauru. Uma das vítimas chegou a perder 35 mil reais. As prisões foram realizadas na capital paulista, em — conforme nota da SSP — colaboração com a OAB-SP.
Como funciona o golpe
O esquema parte de informações reais obtidas de processos em andamento, como número da ação, nomes das partes e foto do advogado. Com esse material, criam uma abordagem convincente por meio de mensagens que simulam o escritório legítimo.
O contato chega por WhatsApp, e-mail ou SMS, com identidade visual do escritório, incluindo foto, nome correto e logotipo. A mensagem anuncia ganho de causa ou liberação de valores, mas exige pagamento antecipado de taxas para liberar o dinheiro.
O pagamento é direcionado a contas de terceiros, prática incompatível com a advocacia. A urgência é enfatizada para evitar checagens. A OAB-SP registra denúncias e orienta confirmar a identidade do advogado por canais oficiais, além de evitar pagamentos a terceiros.
Prisões e próximos passos
A Justiça expediu 10 prisões temporárias, 15 buscas e apreensões, além de sequestros de bens para ressarcimento das vítimas. Os suspeitos podem responder por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A investigação segue para identificar eventuais clientes e ramificações financeiras.
Leonardo Sica, presidente da OAB-SP, ressaltou a atuação conjunta com as autoridades para desarticular os braços financeiros e operacionais do golpe. A entidade mantém uma força-tarefa desde janeiro de 2025 para enfrentar o crime.
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