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74% das mulheres se sentem inseguras em cidades brasileiras, aponta estudo

74% das mulheres se sentem inseguras nas cidades brasileiras; 63% já mudaram a rotina por medo da violência e 83% veem a violência contra a mulher como realidade local

74% das mulheres se sentem inseguras nas cidades no Brasil, aponta estudo — Foto: Getty Images
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  • 74% das mulheres se sentem inseguras nas cidades do Brasil, segundo estudo encomendado pelo Instituto Sou da Paz e realizado pela Oma Pesquisa entre novembro e dezembro de 2025, com 1.115 entrevistas.
  • Também constata-se que 83% dos entrevistados veem a violência contra a mulher como realidade presente na cidade, e 73% apontam violência sexual.
  • A pesquisa mostra que 63% das mulheres já mudaram a rotina por medo da violência, ante 51% entre homens.
  • Além do medo de violência física, há preocupação com assédio e violência sexual durante deslocamentos, indicando falhas na resposta pública.
  • A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz critica o foco exclusivo na punição e ressalta a necessidade de políticas públicas que protejam, reconheçam a violência e facilitem denúncias; eleições são apontadas como momento para cobrar planos contra violência de gênero.

O que aconteceu: um estudo realizado pela Oma Pesquisa, a pedido do Instituto Sou da Paz, aponta que 74% das mulheres se sentem inseguras nas cidades brasileiras. O levantamento também indica que 83% percebem a violência contra a mulher como realidade local e 73% destacam violência sexual.

Quando e onde: a pesquisa ocorreu entre novembro e dezembro de 2025, com abrangência nacional e 1.115 entrevistas presenciais, domiciliares e pessoais. Os dados revelam uma desigualdade de percepção entre mulheres e homens.

Quem está envolvido: Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, comenta que os resultados refletem uma dimensão cultural da violência, ligada ao machismo estrutural que trata a mulher como objeto.

Por quê: os resultados sugerem que a violência de gênero ainda é tratada como questão secundária na segurança pública. O estudo aponta falhas na resposta estatal, além de efeitos de revitimização no processo de denúncia.

Desafios para a política pública

63% das mulheres disseram ter alterado a rotina por medo da violência, enquanto 51% dos homens relatam mudança semelhante. O medo envolve não apenas crimes como assaltos, mas também violência sexual e assédio cotidiano.

A diretora do Sou da Paz afirma que a abordagem atual prioriza medidas punitivas, como prisão de agressor, sem preparar a vítima para reconhecer a violência e se manter afastada do agressor. Ela ressalta a necessidade de ações de proteção e suporte.

Segundo a pesquisadora, o sistema exige melhoria na formação de agentes de segurança para lidar com casos de violência de gênero. A prioridade de políticas públicas ainda não está adequadamente incorporada aos planos dos governantes.

A autora do estudo reforça que é essencial transformar a proteção de meninas e mulheres em prioridade real, com planos que vão além da mera punição. As eleições aparecem como momento para cobrar propostas mais contundentes.

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