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Como o curry naval conquistou corações no Japão

Hashidate mantém a tradição do kaigun kare, curry de sexta-feira que sustenta milhares de militares japoneses e alimenta rivalidade entre bases

crew members aboard navy vessel Hashidate enjoy their regular curry while docked at Yokosuka, a naval base south of Tokyo.
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  • O navio de operações especiais Hashidate, da Marinha japonesa, serve curry naval no almoço às sextas-feiras, com o chef Yosuke Oyama preparando um prato com carne, caldo, vegetais e toques de maçã, gengibre, alho, vinho tinto e mel.
  • O curry é amplamente associado ao Japão como prato nacional suave, com variações como o Yokosuka curry, acompanhado de salada, picles e leite; a história começa com o uso de curry em pó para combater o beribéri, ligado à relação com a Marinha Real Britânica no século dezenove.
  • Registros apontam a primeira receita japonesa de curry em 1872, com publicação no livro de referência de culinária da Marinha em 1908; hoje toda a Força de Defesa Marítima consome cerca de 45 toneladas de curry por ano, equivalente a 2,25 milhões de refeições.
  • Bases rivais disputam qual é a melhor receita de curry naval, mas Yokosuka é vista como candidata forte, com festivais anuais de curry em maio e versões disponíveis em lojas da região.
  • Em 2022, seis marinheiros foram suspensos por receber curry sem pagar por isso há até três anos; a história do curry também já gerou tensões diplomáticas, por receitas que imitavam ilhas em disputas regionais.

O navio de serviço especial Hashidate, da Força de Self-Defesa Marítima do Japão, oferece curry naval como almoço fixo às sextas-feiras. A preparação, liderada pelo chefe Yosuke Oyama, envolve temperos, batatas, cenouras e carne, com redução de vinho tinto e mel para um sabor umami.

A receita de curry é mantida há décadas a bordo, acompanhada de salada, picles e leite. Em Yokosuka, base naval ao sul de Tóquio, os 10 tripulantes do Hashidate participam da tradição semanal, que serve também como teste de sazonalidade e variedade gastronômica.

Oyama, com 30 anos na marinha, busca mudanças semanais no prato, incluindo keema, curry de frutos do mar e uso de sobras com noodles udon. A ideia é manter o prato interessante para o grupo de militares e visitantes VIPs.

Contexto histórico

O curry, embora com raízes sul-asiáticas, tornou-se prato amplamente associado ao Japão. A defesa marítima mantém a prática de servir kaigun kare para promover nutrição e moral entre as tropas, especialmente em viagens longas.

A adoção inicial está ligada a relatos de oficiais anglo-indianos na Marinha Real durante o século XIX, que teriam apresentado o curry ao Japão após contatos com o Ocidente. O molho espesso com carne e legumes ajudou a prevenir beribéri entre os soldados.

O curry chegou aos lares japoneses pouco tempo depois, com a primeira receita publicada em 1872 e restaurantes servindo o prato em seguida. A Marinha de 1954 consolidou a tradição, incentivando bases rivais a criarem seus próprios curries.

Diversidade e disputas locais

Segundo dados da Força de Self-Defesa Marítima, a frota consome cerca de 45 toneladas de curry por ano, o equivalente a 2,25 milhões de refeições. Yokosuka reivindica o título de capital do kaigun kare, embora bases como Maizuru e Kure também disputem.

Yokosuka celebra seu curry com festivais anuais, lojas que vendem versões prontas e uma mascote local que carrega a imagem do prato. Em Maizuru e Kure, as disputas entre bases continuam, alimentando rivalidades históricas.

Desfechos e desdobramentos

Em 2022 houve suspensão de seis marinheiros por consumirem curry sem pagamento em uma base da SDF, prática associada a visitantes militares. Em 2021, o prato também ficou no centro de tensões diplomáticas envolvendo disputas territoriais no Pacífico.

A bordo do Hashidate, o capitão da tripulação e o chefe de operações destacam que o curry de sexta-feira ajuda a manter o ritmo das viagens e a prontidão dos membros da equipe. O prato permanece, para muitos, símbolo de identidade naval e de cooperação internacional.

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