- No Paraná, desabastecimento de medicamentos do SUS afeta usuários da Farmácia do Paraná, com 1.240 relatos de falta de remédio de janeiro a maio, segundo o movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC).
- A leflunomida, usada para doenças autoimunes, lidera as ausências no estado, com 395 relatos, seguido por relatos nacionais de falta generalizada de itens de alto custo.
- Em Curitiba, uma paciente de 39 anos relata ficar sem o medicamento há um mês e destaca prejuízos à mobilidade e à qualidade de vida devido à indisponibilidade do medicamento Arava, que pode custar até R$ 770 a caixa.
- O Ministério da Saúde contesta os dados do MTC, dizendo que monitora o estoque e que a maioria dos itens citados tem entrega regular; quatro itens teriam remessa a caminho ou compra em andamento.
- Ainda segundo a pasta, foram anunciadas ações para a leflunomida (302,9 mil unidades nos próximos dias) e licitação para mais 17,8 milhões de comprimidos, além de aquisições de riluzol, abatacepte e beta-agalsidase; pacientes com doença de Fabry teriam recebido alfagalsidase.
Pacientes atendidos pelo programa Farmácia do Paraná têm encontrado dificuldades para retirar medicamentos distribuídos pelo SUS, devido a faltas de abastecimento. O movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC) registrou 1.240 relatos de desabastecimento no período de janeiro a maio.
Criado na pandemia, o MTC coleta depoimentos de usuários que não conseguem obter os remédios. A coordenadora Priscila Torres alertou sobre consequências como agravamento de doenças, perda de resposta terapêutica e maior necessidade de atendimentos de urgência.
A situação se repete em nível nacional: o MTC aponta mais de 33 mil relatos de desabastecimento. No Paraná, a leflunomida, medicamento para doenças autoimunes, lidera a lista com 395 relatos de ausência.
Dados sobre o cenário e impactos
Em Curitiba, uma paciente de 39 anos, identificada apenas pelas iniciais T. C. C., está sem leflunomida há um mês. Ela já tentou corticoides e outros remédios sem sucesso, o que piorou a mobilidade e a qualidade de vida. A medicação Arava, por exemplo, pode chegar a R$ 770 a caixa.
De modo geral, especialistas ressaltam que atrasos no tratamento de alto custo afetam a efetividade terapêutica e a qualidade de vida, elevando custos com saúde e judicialização. Radominski cita faltas generalizadas desde o fim de 2025, com interrupções em tratamentos crônicos e oncológicos.
Resposta do Ministério da Saúde e próximos passos
O Ministério da Saúde informou que monitora o estoque de forma contínua e contestou os números do movimento, dizendo que a maioria dos itens citados tem entrega normal. Segundo a pasta, 40 de 44 medicamentos fornecidos pelo governo federal possuem fluxo regular; apenas quatro estão com remessas a caminho ou em compra.
Sobre a leflunomida, o governo afirmou que enviará 302,9 mil unidades nas próximas semanas e abriu pregão eletrônico para comprar mais 17,8 milhões de comprimidos. A compra de riluzol, abatacepte e beta-algalsidase também está em etapa final.
A pasta informou ainda que pacientes com doença de Fabry não estão desassistidos, pois a alfagalsidase foi entregue normalmente como alternativa à beta-algalsidase.
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