- A busca por aceitação na escola levou Will Adolphy a entrar na machosfera, influenciado por conteúdos online sobre como um homem de verdade deve ser.
- Will descreve o que chamava de “manual do homem”: regras para não demonstrar fraqueza, ser forte e atlético, pressões que chegavam de várias fontes semfusadamente.
- Em casa, os pais se separaram quando ele tinha 17 anos, e ele passou a morar no escritório do pai, em meio a brigas e violência, usando o videogame como refúgio.
- Ao consumir conteúdos de Don Juans e, depois, da machosfera, Will se sentiu pressionado pelo feminismo e pelo movimento Me Too, desenvolvendo desconfiança e dificuldade de se conectar com mulheres; terminou o relacionamento durante a pandemia.
- Durante a depressão causada pelo isolamento, fez uma viagem de uma semana ao País de Gales para enfrentar o problema; hoje é terapeuta/palestrante que enfatiza empatia e conexões reais para jovens homens.
Will Adolphy passou a se isolar na adolescência, buscando aprovação entre colegas via conselhos de influenciadores sobre como ser “homem de verdade”. Esse conjunto de mensagens o levou para a machosfera, um ecossistema online que dita regras sobre masculinidade e relacionamentos.
A trajetória dele envolveu um afastamento da família, com a separação dos pais aos 17 anos. Morou no escritório do pai, buscando escape para a tensão criada pela convivência no ambiente escolar e pelos conflitos em casa.
O caminho para a machosfera começou com conteúdos sobre confiança com mulheres, os chamados Don Juans, que atraíram Will para esse universo de ideias, incentivos de influenciadores e plataformas digitais. O objetivo era encontrar validation social.
A pressão de ser aceito
Na escola, Will descreve a presença de um “manual do homem” que o pressionava a não demonstrar sensibilidade, a ser atlético e a adotar uma postura rígida. As mensagens pareciam chegar de forma difusa, vindas de professoras, pais, mídia e música.
A busca pela aceitação era central: ser aceito pelo grupo era visto como crucial, especialmente na adolescência, quando a rejeição pode parecer devastadora e ter impacto duradouro na identidade.
Rumo à misoginia digital
Com o tempo, ele passou a sentir a pressão dupla: o desejo de não ser tóxico e, ao mesmo tempo, a ansiedade de não corresponder à ideia de masculinidade. Em meio a esse conflito, o movimento #MeToo intensificou a sensação de antagonismo, segundo ele.
Ao perceber que o feminismo poderia ser visto como uma ameaça, Will relata ter desenvolvido desconfiança em relação às mulheres e à convivência de casal, o que prejudicou seu relacionamento.
O ponto de virada
Durante a pandemia de Covid-19, o relacionamento chegou ao fim e Will atravessou um período de depressão. Um amigo sugeriu um retiro em País de Gales, sem tecnologia, para encarar os conflitos internos.
Esse período ficou marcado como decisivo: ele passou a entender que precisava mudar o foco, com objetivo de se tornar terapeuta e criar espaços de diálogo para homens jovens, promovendo empatia.
O caminho atual
Hoje, Will atua como palestrante e defende abordagens que favoreçam a conexão real entre homens e jovens, sem vergonha ou intimidação. Ele enfatiza que o contato humano é a principal ferramenta de mudança.
A transformação envolveu reconhecer danos sofridos por mulheres e meninas, além de promover debates que permitam ouvir diferentes perspectivas. Ele vê espaços seguros como o ambiente propício para mudanças.
Este relato é uma adaptação do programa Ready to Talk com Emma Barnett, da BBC, que traz a história completa de Will Adolphy no episódio sobre a saída da machosfera.
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