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Morre Muriel Hasbun, artista que retratou a diáspora salvadorenha e a memória

Muriel Hasbun, artista que explorou memória, migração e exílio da diáspora salvadorenha, morre aos 64, deixando legado de preservação de arquivos

Muriel Hasbun.
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  • Muriel Hasbun morreu em treze de maio, em Silver Spring, Maryland, aos sessenta e quatro anos, vítima de câncer de ovário.
  • Foi artista multidisciplinar que abordou memória, migração e exílio, mesclando fotos de arquivo com imagens produzidas por ela.
  • Entre seus trabalhos estão Santos y sombras (1990–97) e X post facto (équis anónimo); em 2023 teve exposição de síntese chamada Tracing Terruño no International Center of Photography.
  • Atuou como docente no Corcoran College of the Arts and Design (1995–2014), sendo presidente do departamento de fotografia entre 2011 e 2014, e tornou-se professora emérita na George Washington University até 2016.
  • Criou o Laberinto Projects para preservar arquivos e promover artistas da região; colaborou em projetos de memória e ativismo transnacional com Erina Duganne.

Muriel Hasbun, artista multidisciplinar cuja obra abriu espaço para a memória da diáspora salvadorenha e a complexidade de lembrar, morreu em 13 de maio aos 64 anos, em Silver Spring, Maryland, vítima de câncer de ovário. A confirmação veio com a afirmação de Tatiana Flores, historiadora de arte.

Hasbun integrou fotografia, vídeo e instalação para explorar memória, migração, perda e exílio, temas que permeavam sua história familiar. Nascida em 1961 na El Salvador, ela deixou o país em 1979, aos 18 anos, e estabeleceu residência em Washington, DC, por volta de 1980.

Entre suas obras iniciais de maior expressão está Je me souviens, c. 1945 (1986), que trabalha a partir de uma foto de família herdada pela avó materna. A imagem, com a presença de um vestido vermelho refletindo no vidro, sugere a névoa da memória e o papel da fotografia na construção de lembranças.

A série Santos y sombras / Saints and Shadows (1990–97) consolidou esse caminho ao mesclar fotos de arquivos familiares com imagens novas, desfazendo fronteiras de tempo e espaço. Em Altar I, o registro adentra o abstrato, enquanto Todos los santos (Para subir al Cielo) mostra um cemitério com uma escada sobreposta à cena.

Outra peça destacada é Palestina llega a El Salvador / Palestine Arrives in El Salvador, que cruza imagens de palmeiras com uma página de documento de chegada de ancestralidade, combinando memória pessoal e história regional. A obra reforça o tema da cruzada entre casa, território e identidade.

Ao longo da carreira, Hasbun manteve um eixo claro sobre a importância da memória na experiência humana e sua fragilidade. Em entrevista de 2021, a artista refletiu sobre o conceito de terruño como espaço de pertencimento e questão central de sua prática, destacando a tensão entre perguntas, mistérios e paradoxos da condição humana.

Em 2023, a exposição de retrospectiva Tracing Terruño no International Center of Photography, em Nova York, organizou o percurso de Hasbun como um mapeamento de casa, geografia, fronteiras e lugar, em contexto de crescentes fluxos migratórios globais. O ICP descreveu a artista como influente para sua comunidade e ressaltou o papel pedagógico de Hasbun.

Paralelamente à produção, Hasbun atuou como educadora, lecionando no Corcoran College of the Arts and Design de 1995 a 2014 e chefiando o departamento de fotografia entre 2011 e 2014. O Corcoran, que se fundiu à George Washington University, a manteve como professora emerita até 2016.

A artista também dedicou-se à preservação de arquivos, herdando o acervo da galería el laberinto, criada pela mãe em El Salvador. Em 2012, Hasbun lançou a Laberinto Projects, plataforma que promove prática artístico-cultural, educação e preservação de legados na região centro-americana e na sua diáspora.

Mais tarde, Hasbun colaborou com a historiadora Erina Duganne em projetos que mantêm viva a ideia de ativismo transnacional por meio do arquivo, destacando as contribuições de artistas da América Central. O debate sobre a diversidade de povos latino-americanos e a presença de salvadorenhos nos museus norte-americanos figura como eixo de sua atuação.

A trajetória de Hasbun revela uma prática tocada pela memória como instrumento de compreensão histórica e identitária, sem minimizar a dor associada a exílios e perdas. A comunidade artística pressente a lacuna deixada pela sua ausência e mantém o legado de suas investigações sobre território, memória e migração.

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