- A Arquidiocese de Belo Horizonte reconhecerá, na próxima quarta-feira (27), Francisco Martins Dias como o primeiro padre negro da capital, incluído na galeria da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem.
- Dias foi o primeiro pároco da nova Belo Horizonte e o último de Curral del-Rei, vila que originou a cidade em 1897.
- Ele é atribuído também como criador do primeiro jornal da cidade, o Bello Horizonte, um semanário católico que circulava aos domingos.
- Nascido em Nova Lima, Dias foi ordenado em 1891, ficou em Curral del-Rei até 1894 e, de 1895 a 1901, ocupou a paróquia da nova capital; morreu em 1944 no Rio de Janeiro.
- O ato é visto como reparação histórica por pesquisadores, com planos de ampliar registros de outros 17 religiosos que passaram pela paróquia desde 1762.
A Arquidiocese de Belo Horizonte irá reconhecer, na próxima quarta-feira (27), o primeiro padre negro da capital, Francisco Martins Dias. A cerimônia ocorrerá na galeria oficial da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, marco zero da cidade.
Dias foi o primeiro pároco da nova capital mineira e o último de Curral del-Rei, vila que deu origem a Belo Horizonte em 1897. O reconhecimento busca resgatar uma personalidade histórica.
A iniciativa partiu do padre Mauro Luiz da Silva, criador do projeto NegriCidade. Ele afirma que a reparação histórica envolve não só Dias, mas toda a comunidade negra da cidade.
Trajetória e legado do padre
Nascido em Nova Lima, Dias foi ordenado em Mariana em 1891. Retornou à sede natal para conduzir a paróquia local até 1894, antes de assumir o posto na futura Belo Horizonte.
Durante a construção da nova cidade, ele dirigiu a paróquia da capital até 1901, quando pediu exoneração. Atribui-se a ele também a criação do jornal Bello Horizonte, semanário católico dominical.
Dias morreu em 1944, no Rio de Janeiro, onde está sepultado no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo. Sua atuação é associada à resistência à desapropriação de moradores da vila.
Contexto histórico e desdobramentos
O padre criticou o deslocamento de moradores da antiga vila para a periferia durante a construção da BH. Segundo Mauro, há um debate sobre o destino da capela e dos corpos do cemitério do Largo do Rosário, expulsos na época.
O atual pároco da Boa Viagem, padre José Júnior Marques, valoriza o reconhecimento como reparação histórica. Ele afirma que o quadro de Dias passará a figurar entre os registros dos sacramentinos desde 1937.
A Arquidiocese também pretende buscar documentos sobre os 17 religiosos que ocuparam a paróquia desde Felipe da Silva, em 1762, para ampliar o registro histórico da paróquia.
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