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Estudo aponta estagnação da representatividade feminina na mídia

GMMP Brasil 2025 aponta mulheres em 26% das notícias, sinal de estagnação há cinco anos e de sub-representação em pautas-chave

Desde 1995, o documento do Projeto de Monitoramento Global da Mídia é divulgado a cada cinco anos – Foto: Mariana Chama/LAC-ECA USP
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  • O GMMP aponta que mulheres representam 26% das notícias globalmente, apesar de serem metade da população.
  • No Brasil, a participação feminina está alinhada com a média mundial, sem mudanças significativas nos últimos cinco anos.
  • As repórteres são 48% na internet e 36% na televisão; como fontes, mulheres aparecem 24% no jornal impresso e 19% na internet.
  • As mulheres são majoritariamente citadas em temas de violência de gênero, saúde, ciência, celebridades, artes e mídia; já os homens aparecem como especialistas.
  • Protagonismo feminino nas notícias é raro, exceto quando são retratadas como vítimas de violência de gênero, com cobertura entre 1% e 2% dos conteúdos.

A pesquisa GMMP Brasil 2025 aponta que a presença das mulheres na mídia é de apenas 26% do total de matérias, apesar de representarem metade da população mundial. O estudo é coordenado por equipes da ECA/USP e envolve 23 estados e o Distrito Federal.

A divulgação ocorreu entre 30 e 31 de março, com apresentação promovida pelo GMMP Brasil e pelo canal Diversidade na ECA. A coleta contou com 195 monitoras e monitores, em 38 veículos de imprensa, de diferentes formatos.

As coordenadoras nacionais foram Elizângela Carvalho Noronha e Cláudia Lago, ambas atuando no Brasil. A equipe também contou com Dayana Melo e estudantes de pós-graduação em Ciências da Comunicação.

A presença das mulheres na mídia brasileira

O relatório mostra quem produz as reportagens, quais funções ocupam as mulheres e quem são as fontes. Entre as repórteres, a presença é maior na internet (48%) e menor na televisão (36%).

Como fontes, as mulheres aparecem mais no jornal impresso (24%) do que na internet (19%). Em temas, destacam-se violência de gênero, saúde, ciência e, na internet, celebridades, artes e mídia.

Mesmo com mulheres produzindo matérias, o estudo aponta que a busca por fontes femininas não aumenta significativamente, mantendo o padrão de entrevistar principalmente homens.

Desigualdade em áreas de cobertura

Cláudia Lago destaca que mulheres não são protagonistas em hard news como política, economia, esporte e criminalidade. No jornalismo esportivo, a participação masculina varia de 73% a 92%.

Temas como política e governo, social e legal e crime recebem menor participação feminina em comparação aos homens. O conteúdo sobre violência de gênero representa apenas 1% a 2% das notícias.

Contexto de fontes e representatividade

As mulheres costumam ser entrevistadas para relatos pessoais, enquanto homens atuam como especialistas. Em casos de aborto, por exemplo, mulheres falam de experiências; médicos, homens, opinam tecnicamente.

O relatório observa elevada presença de mulheres identificadas pelo contexto familiar (73%), o que reforça estereótipos. Também há baixa presença de mulheres racializadas (aproximadamente 5%).

Quando as mulheres ganham protagonismo

Segundo o GMMP Brasil, as mulheres não protagonizam as reportagens em geral, exceto quando retratadas como vítimas de violência de gênero. Esses casos variam entre 1% e 2% das matérias.

Entre 2024 e 2025, o Brasil registrou recordes de feminicídio, e o primeiro bimestre de 2026 mostrou alta de 31% nesses crimes em relação ao ano anterior, conforme levantamento do G1.

Perspectivas e ações

O estudo aponta que há falta de aprofundamento em temas de gênero na cobertura. Equidade, legislação e direitos humanos aparecem em apenas 8% das matérias analisadas.

Cláudia Lago enfatiza a necessidade de combater estereótipos de forma ampla, desde a escolha de temas até a forma de enquadrar as mulheres nas notícias, para promover mudanças culturais efetivas.

Origem e metodologia do GMMP

O GMMP se baseia no artigo J da Declaração de Pequim, com diretrizes para equidade de gênero na mídia. A metodologia considera a presença de pessoas, papéis nas matérias e ocupações.

A edição brasileira 2025 ampliou o alcance, com 38 veículos e participação regional em cinco grandes áreas do país, sob coordenações regionais e uma equipe de 195 monitoras e monitores.

Como a pesquisa é realizada

O relatório envolve veículos de ampla audiência e diversidade, com conteúdos de várias linhas editoriais e estruturas de gestão. A amostra busca refletir diferentes formatos de mídia e contextos sociais.

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