- Em 2024 foram registrados 42.590 homicídios no Brasil, com taxa de 20,1 por 100 mil habitantes.
- 99 municípios (1,8% do total) concentraram metade dos homicídios e possuem 43,4% da população brasileira.
- as maiores taxas ocorreram no Nordeste e Norte: Amapá, Ceará, Bahia, Alagoas e Pernambuco ficaram entre as mais altas.
- Maranguape (CE) teve a maior taxa entre cidades com mais de 100 mil habitantes, em 87,2 por 100 mil, com domínio de facções locais.
- o Atlas aponta divergência com dados oficiais: foram 42.590 homicídios no SIM, mas o estudo estima 43.312 mortes violentas intencionais, ao contabilizar casos classificados como mortes com causa indeterminada (MVCI) e reclassificá-los.
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência, realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em estimativa de mortes violentas sem causa determinada, o total sobe para 49.673, com taxa de 23,4 por 100 mil.
Avelado pela pesquisa, o país apresenta alta desigualdade: apenas 99 municípios concentram 50% dos homicídios, embora correspondam a 1,8% do total de cidades. Esses municípios concentram 43,4% da população brasileira.
As maiores taxas de homicídio ocorreram no Nordeste e no Norte. Amapá (47,1), Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6) lideram as incidências. Estados do Sul, Sudeste e o Distrito Federal registraram menores índices.
Cidades de porte intermediário, entre 100 mil e 500 mil habitantes, apresentaram média de assassinatos mais alta do que as grandes metrópoles, indicando que a violência não está restrita às maiores cidades.
Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, teve a maior taxa entre cidades com mais de 100 mil habitantes, com 87,2 homicídios por 100 mil. Bairros da cidade são controlados por facções locais, com disputas por território e presença de ordens em murais.
Entre os dez municípios mais violentos com mais de 100 mil habitantes, quatro ficam no Ceará e seis na Bahia. Jequié, na Bahia, figura entre os destaques, associada a políticas de resposta policial agressiva em anos anteriores.
Salvador foi a capital com o maior índice de homicídios estimados, com 52,7 por 100 mil habitantes. Pesquisadores ressaltam que a Bahia tem atuação de várias facções, muitas jovens, com presença contínua de violência.
O Atlas aponta que, de 2014 a 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram mortos no Brasil, representando 46,5% das vítimas em 2024. A taxa de homicídio entre jovens é de 46,1 por 100 mil, quase o dobro da média nacional.
Em 2024, a média diária de jovens mortos foi de 54, com 51 homens entre as vítimas. O estudo utiliza dados do SIM, do Ministério da Saúde, para reclassificar mortes com causa indeterminada em potencial homicídio.
A diferença entre as estatísticas oficiais e as estimativas do Atlas é expressiva: o SIM registra 42.590 homicídios, enquanto o Atlas considera casos classificados como MVCI e reclassificações. A divergência pode chegar a mais de 14%.
Segundo o Atlas, a explicação envolve a qualidade das informações: muitos casos permanecem com causa indeterminada no cadastro, o que leva a ajustes na contagem final. O relatório indica que a violência segue estável, apesar de quedas aparentes em registros oficiais.
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