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Milhões de salmões morrem em fazendas na Escócia após decisão de órgão regulador

Relatório liberado após decisão do ICO mostra milhões de mortes de salmões em fazendas da Escócia por intoxicação acidental e sulfeto de hidrogênio, com falhas regulatórias

‘We treat all reports of suspected cases of poor welfare at salmon farms seriously,’ an APHA spokesperson said.
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  • A decisão do Escritório de Informações (ICO) determinou que não havia motivo válido para manter os relatórios sob sigilo, levando à divulgação de documentos da Agência de Saúde Animal e das Plantas (APHA) sobre mortes em fazendas de salmão na Escócia.
  • Em uma fazenda de salmão em terra da maior empresa do setor na Escócia, Mowi, mais de 100 mil peixes morreram por sufocação em 2021 após um trabalhador deixá-los sem oxigênio.
  • No mesmo local e mês, houve acúmulo de sulfeto de hidrogênio que matou mais de 1 milhão de peixes em 10 horas, sem que houvesse ação de fiscalização.
  • Em outra fazenda da Bakkafrost, certificada pelo RSPCA, morreram 600 mil peixes em 2022 por sulfeto de hidrogênio; meses depois, a perda ocorreu em escala ainda maior, superando 1,5 milhão de peixes, sem ação de fiscalização.
  • Em uma fazenda de trutas, em 2023 morreram cerca de 70 mil peixes, com 7.800 sobreviventes mortos por serem economicamente inviáveis; o local não comunicou mortes ao Fish Health Inspectorate, e a APHA orientou buscar aconselhamento veterinário e encaminhou o código de boas práticas.

Duas séries de relatos de inspeção, divulgadas após decisão de um órgão regulador, detalham mortes em fazendas de salmão na Escócia. As informações apontam causas como afogamento acidental e assassinamento por envenenamento, ocorridas em diferentes sites entre 2021 e 2023. A divulgação ocorreu após o APHA ceder os relatórios, anteriormente mantidos em sigilo.

Os documentos mostram que mais de 100 mil peixes morreram por sufocamento em uma fazenda terrestre menor, controlada pela maior empresa de salmão da região, a Mowi, em 2021, quando deixaram os peixes sem acesso a oxigênio. Em outra ocorrência no mesmo local, houve acúmulo de sulfeto de hidrogênio que vitimou mais de 1 milhão de peixes em 10 horas, sem ação de fiscalização.

Em 2022, outra fazenda operada pela Bakkafrost, com certificação do RSPCA, registrou morte de 600 mil peixes por sulfeto de hidrogênio, problema que reapareceu meses depois em escala ainda maior, com mais de 1,5 milhão de vítimas. Em nenhum dos casos houve tomadas de providências por parte das autoridades.

Em um viveiro de trutas, o APHA verificou cerca de 70 mil mortes em 2023, restando apenas 7.800 peixes vivos, considerados economicamente inviáveis. O relatório aponta ainda que a instalação não havia reportado mortes ao Fish Health Inspectorate, o que levou o APHA a orientar o manejo veterinário e a encaminhar o código de boas práticas ao operador.

Contexto regulatório e consequências

O Information Commissioner’s Office concluiu que não havia justificativa para ocultar os relatórios, citando que parte deles já havia sido publicada anteriormente e que dados de 2024 enfraçam o argumento de risco significativo aos interesses comerciais. Ainda assim, o ICO determinou que novos documentos só devem ser obtidos via pedido formal.

A organização Animal Equality UK classifica a decisão como marco para transparência pública e cobra mudanças na cultura de sigilo do APHA. A entidade admite que a divulgação pode expor falhas regulatórias, mas afirma que o acesso à informação é direito da população.

O APHA afirma manter abertura e dizer que analisa cada pedido com base na confidencialidade ou sensibilidade comercial. Em nota, a agência assegura que casos de mau desempenho no bem-estar animal são tratados com seriedade e que ações adicionais podem ocorrer se houver evidências de crueldade ou negligência.

Representantes da Salmon Scotland ressaltam que as fazendas seguem padrões de bem-estar de alto nível, com regulação, supervisão veterinária e auditorias. Também destacam que as taxas de sobrevivência estão em patamares recordes e citam investimentos em inovação para melhoria do bem-estar.

Um porta-voz do Co-op afirmou que a rede impõe padrões elevados aos fornecedores, exigindo apenas salmão certificado pelo RSPCA. A empresa informou que está analisando o material de Fiunary com o fornecedor e diz levar relatos de bem-estar animal a sério, pronto para agir diante de falhas.

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