- Tess Jaray, pintora britânica conhecida por abstrações discretas com grids, cubos e zigzags, morreu aos 88 anos no domingo.
- Nascida em 1937 em Viena, filha de judeus, sua família fugiu para a Inglaterra um ano após o seu nascimento; muitos familiares foram mortos nos campos de concentração.
- Formou-se em artes no Saint Martin’s e no Slade, onde em 1968 tornou-se a primeira mulher a lecionar; teve influência sobre diversas gerações de artistas.
- Seu trabalho ganhou relevância ao longo das décadas, incluindo comissões de grande escala nos anos oitenta e noventa; também passou a escrever mais a partir dos anos noventa.
- A retrospectiva em Viena ocorreu apenas em 2021, e naquele mesmo ano suas obras foram apresentadas no Centre Pompidou, em Paris, como parte de uma mostra de abstractas mulheres.
Tess Jaray, pintora britânica conhecida por abstrações contidas que exploram padrões recorrentes no mundo, faleceu no domingo aos 88 anos, conforme anúncio publicado no Instagram oficial da artista. A confirmação foi feita pela família e pela equipe de sua prática artística.
Jaray dedicou-se a pinturas de grade, cubos e ziguezags que se apoiam em fundos de cores suaves, iniciando na década de 1960, em plena era do Minimalismo nos Estados Unidos. Suas obras, contudo, tinham presença mais silenciosa e menos dramatismo do que o movimento dominante.
A artista descreveu o desejo de tocar algo enraizado na condição humana por meio dessas abstrações. Em 2019, afirmou a uma entrevista que buscava entender a busca obsessiva por padrões e repetição na natureza e na arte, um ponto de encontro entre cabeça, coração, externo e interno.
Carreira e influência
Embora não tenha tido ampla notoriedade imediata, Jaray exerceu grande influência sobre várias gerações de artistas. Muitos estudaram com ela na Slade School of Fine Art, em Londres, onde foi a primeira mulher a lecionar, em 1968. A artistas Rana Begum, que já foi assistente dela, a descreveu como mentora e amiga.
Nascida em 1937, em Viena, Jaray teve a família judaica perseguida pelo regime nazista. Os pais migraram para a Inglaterra, onde se estabeleceram em Worcestershire; parte de sua família não sobreviveu ao Holocausto. A infância foi marcada por esboços de paisagens e pela formação artística posterior.
Ao longo da carreira, Jaray ampliou o tamanho de suas obras e realizou comissões de grande porte nas décadas de 1980 e 1990. A partir dos anos 1990, passou a dedicar-se mais à escrita, colaborando com figuras como W. G. Sebald em projetos literários.
A trajetória ganhou reconhecimento tardio, com uma retrospectiva em Viena apenas em 2021, pela Secession, e uma mostra no Centre Pompidou, em Paris, no mesmo ano, dedicada a abastracionistas femininas. Jaray manteve uma visão direta sobre o seu trabalho, dizendo que ele é o que resta quando tudo mais é retirado.
A morte de Jaray encerra uma voz que, mesmo sem ostentação, ofereceu um modo único de ver padrões, espaços e a gradual quietude da abstração. Seu legado permanece na influência sobre colegas, estudantes e leitores de sua produção artística.
Fonte: informações oficiais divulgadas pela família e pela casa de estudo da artista, bem como registros de entrevistas históricas.
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