- No TMJ, região do leste do Nepal, o turismo durante a floração de lali guras atraiu cerca de 500 mil visitantes entre 1º e 15 de abril.
- Além de florescerem, as plantas deram origem a uma bebida alcoólica feita de flores de rododendro, vendida em garrafas reaproveitadas com rótulos simples.
- Comerciantes afirmam que o álcool é uma nova fonte de renda sazonal, vendida sobretudo a turistas domésticos de cidades como Katmandu e Dharan, além de visitantes da Índia.
- Autoridades não sabem de onde vêm as flores colhidas para a bebida, nem se a extração é sustentável; a legislação ainda é pouco clara sobre o uso de flores cultivadas em jardins privados.
- Especialistas e comunidades alertam para riscos ambientais e de saúde, pedindo investigação sobre origem das flores, monitoramento de colheita e necessidade de planos de manejo para conservar o ecossistema durante o auge turístico.
O TMJ, no leste do Nepal, vive o efeito da popularidade dos lali guras. A região de Tehrathum, Taplejung e Sankhuwasabha recebe milhares de visitantes durante a floração anual de 26 espécies de rhododendron. Famílias locais dependem do turismo para renda.
Neste período, muitos moradores substituem atividades de lazer pela hospitalidade aos turistas. Hotéis na Basantapur Bazaar recebem grande afluxo de visitantes em poucos dias, impulsionando serviços e comércio local, com estimativa de meio milhão de entradas entre 1º e 15 de abril.
Apesar da beleza das flores, surge um fenômeno ligado ao turismo: bebidas alcoólicas feitas com flores de rhododendro são vendidas abertamente, muitas vezes sem rótulos ou com rótulos improvisados. Comerciantes afirmam que o produto atrai clientes locais e estrangeiros, como turistas de Kathmandu, Dharan, Calcutá e áreas de Assam.
Comércio de álcool de flor
Barris e garrafas reutilizadas aparecem em lojas de Basantapur e Gufa Pokhari, vendidas como lembrança da temporada. A venda é descrita como sazonal e lucrativa para pequenos comerciantes, que afirmam usar flores cultivadas em jardins privados.
Moradores afirmam que a produção é feita de forma caseira, em pequena escala, e que nem sempre há rastreabilidade sobre a origem das flores. Uma parte do público compra por associar o produto à autenticidade da região e à época de floração.
As autoridades locais sinalizam lacunas legais. A legislação de conservação proíbe a coleta comercial de flores de rhododendron em florestas comunitárias sem aprovação, mas não há clareza sobre flores cultivadas em jardins. Também há dúvidas sobre enquadramento regulatório para álcool artesanal.
Conservação, fiscalização e saúde pública
A região de TMJ abrange cerca de 2.378 km² e abriga espécies como pandas vermelhos e leopardos-das-nuvens. A gestão é feita por comunidades locais, com guardas florestais atuando na alta temporada para coibir danos, como quebra de galhos ou colheita de flores.
Apesar da atuação comunitária, há relatos de turistas que fotografam flores e continuam a coletar, o que aumenta a pressão sobre o ecossistema. A produção comercial de álcool a partir de flores não recebe regulamentação específica de autoridades, o que preocupa organizações ambientais.
Especialistas reforçam a necessidade de monitoramento de colheitas e de fontes das flores usadas na produção de bebidas. Existe consenso de que a segurança alimentar e os potenciais efeitos tóxicos não foram avaliados de forma abrangente no produto comercializado.
O governo local reconhece riscos à saúde pública. Funcionários ouvidos pela imprensa indicam que não houve avaliação sistemática de bebidas à base de rhododendron na região, e que toxinas presentes em algumas espécies variam conforme o tipo de rhododendro, dificultando avaliações de risco.
Clima e turismo acelerado também pressionam o ecossistema. A região planeja novas infraestruturas turísticas, como uma rota de trekking de 199 km e até um teleférico, o que pode ampliar o fluxo de visitantes e ampliar impactos ambientais.
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