- O CEO Stephan Winkelmann diz que ainda não é o momento para um supercarro totalmente elétrico, mesmo com a aposta em híbridos.
- A Lamborghini deve manter híbridos, com pedidos positivos para Fenomeno e Fenomeno Roadster, mantendo o foco no som, desempenho e redução de emissões sem abandonar o DNA da marca.
- O Temerario entrega 907 cv com três motores elétricos e pode acelerar de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos e atingir 342 km/h; o Miura clássico é usado como referência histórica do gênero.
- Segundo Winkelmann, consumidores valorizam design, desempenho e o som do motor, e o sistema híbrido ajuda a reduzir emissões sem comprometer a emoção de dirigir.
- A empresa estuda planos para os próximos cinco a dez anos, mantendo a possibilidade de EVs no futuro, mas sem previsão de produção de carro totalmente elétrico ainda; a fábrica em Sant’Agata Bolognese já é neutra em CO₂ desde 2015.
O CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, afirmou que não é hora de lançar um supercarro totalmente elétrico. Em entrevista e durante test-drive, ele destacou que clientes ainda valorizam som, emoção e motores a combustão, mesmo no caminho da eletrificação híbrida.
Winkelmann explicou que, após a Covid-19, a marca renovou toda a linha para reduzir emissões sem perder o DNA. Segundo ele, a promessa aos clientes foi de design renovado, desempenho superior e emissões menores, preservando a experiência emocional do carro.
O executivo apontou dois pilares da decisão de compra: design e desempenho. Em termos de desempenho, ele mencionou números, sensações nas curvas, frenagem e vibrações, afirmando que a eletrificação pode potencializar esses aspectos no futuro.
Miura: origem do conceito
O Miura, lançado em 1966, inaugurou o motor central e o conceito de supercarro. Equipado com um V12 transversal, o modelo definiu o gênero, oferecendo alto desempenho para a época e servindo de referência para a Ferrari Dino 206 GT, no ano seguinte.
A versão P400 entregava 345 cv e 355 Nm, com 0 a 100 km/h em 7 segundos e máxima de 275 km/h. A atualização P400S elevou para 365 cv e 388 Nm, mantendo o domínio até o Countach em 1982.
Temerario e a estratégia híbrida
O Temerario, peça-chave da linha atual, mantém motor central, porém utiliza V8 biturbo. Com 907 cv, acelera a 0–100 km/h em menos de 2,7 segundos e atinge 342 km/h. Duas unidades elétricas dianteiras completam o conjunto, junto ao motor traseiro.
O sistema híbrido, com três motores elétricos da YASA, ajuda na arrancada e na estabilidade em acelerações fortes. O conjunto pode chegar a 444 cv, mas opera com limitação a 187 cv na prática.
O híbrido vale a expectativa?
Winkelmann disse que a recepção dos clientes aos híbridos foi muito positiva, com pedidos elevados. Modelos como Fenomeno e Fenomeno Roadster já mostraram demanda intacta, reforçando a aposta híbrida da marca.
Ele citou que o Miura pode ter ficado para trás na corrida por velocidade extrema com a eletrificação pura. Atualmente, o topo de velocidade entre carros de produção pertence ao YANGWANG U9 Xtreme, elétrico, o que alimenta a discussão sobre a eletrificação completa.
Futuro elétrico ainda não definitivo
Winkelmann afirmou que a Lamborghini já avalia uma entrada total no elétrico, mas considera que ainda não é o momento. A empresa analisa demanda, legislação e aceitação do público, mantendo a ideia de que a marca vende sonhos, não apenas mobilidade.
Ele ressaltou que, por ora, o foco é entregar o Revuelto, o Temerario e o Urus, com planos de P&D para os próximos 5 a 10 anos. Conservação de motores a combustão, com biocombustíveis e combustíveis sintéticos, também é citada como alternativa.
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