- O IBGE comemora noventa anos nesta sexta-feira, 29, em meio a desafios na produção de estatísticas e ao atraso na divulgação do Censo Demográfico de 2022.
- Os microdados do Censo 2022 ainda não foram publicados; a gestão afirma que a divulgação ocorrerá quando os dados estiverem tecnicamente consistentes e protegidos pelo sigilo estatístico, com novos protocolos de confidencialidade frente à IA.
- O sindicato dos servidores, Assibge, critica a ausência de um cronograma oficial e aponta rotatividade de pessoal e perdas de credibilidade; há disputas com a gestão desde 2024, ligadas a questões como a IBGE+ e condições de trabalho.
- A direção do IBGE diz que o caminho é de reconstrução e modernização, destacando diálogos com servidores desde 2023 e a realização de novos levantamentos, como o 12º Censo Agropecuário em 2027 e a contagem da população em situação de rua em 2028.
- Entre os planos está também a promessa de avançar com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2024/2025, com divulgação prevista para novembro deste ano, e a adoção de novas estratégias para manter a confiabilidade dos dados.
O IBGE completa 90 anos em meio a atrasos e controvérsias. A instituição não publicou os microdados do Censo Demográfico de 2022, que deveriam trazer informações detalhadas para análises socioeconômicas. O atraso alimenta questionamentos sobre a qualidade e a confiabilidade dos dados.
A gestão do presidente Marcio Pochmann afirma que o foco é reconstruir o instituto e investir em modernização. Em nota, diz que os microdados serão divulgados quando estiverem tecnicamente consistentes e protegidos pelo sigilo estatístico, com novos protocolos de confidencialidade.
O órgão também projeta novas pesquisas. Entre elas, a coleta do 12º Censo Agropecuário para 2027 e uma contagem da população em situação de rua para 2028. A direção ressalta que esses levantamentos exigem orçamento e planejamento regulados.
O atraso na divulgação dos microdados ocorre em meio a conflito interno entre a gestão de Pochmann e parte dos servidores. O Assibge, sindicato da categoria, critica a ausência de um cronograma oficial de publicação e aponta perdas na credibilidade institucional.
Entre as críticas, o sindicato cita a falta de participação dos trabalhadores em decisões estratégicas. Além disso, o Assibge questiona medidas administrativas que segundo a entidade teriam provocado exodontias de técnicos e desmotivação no quadro de especialistas.
A presidência do IBGE sustenta que o diálogo com servidores vem ocorrendo desde 2023. Alega ter promovido encontros nacionais, conferências e reuniões virtuais que envolveram mais de 10 mil funcionários, com foco na modernização sem abrir mão do sigilo.
Analistas independentes destacam que o Censo 2022 já teve sua última etapa adiada e que a divulgação dos microdados é essencial para a transparência. Observam, no entanto, que técnicas de tratamento estatístico podem mitigar riscos de identificação de informantes.
O IBGE nasceu em um contexto histórico de Vargas, com a criação do INE, que evoluiu para o IBGE em 1936. Hoje, a instituição atua como base de dados oficiais, influenciando indicadores como IPCA, PIB e taxas de desemprego.
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