- Manuscrito Lebaudy, do século XIII, com lendas do Rei Arthur, Merlin e Santo Graal, vai a leilão pela Christie’s em Londres em julho, com valor estimado superior a US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões).
- Datação entre 1290 e 1310, permaneceu em coleções privadas por mais de setecentos anos e nunca foi exibido amplamente.
- Códice contém 126 iluminuras em pergaminho, com folha de ouro brunido; Merlin é retratado como cervo falante.
- Integra o Ciclo da Vulgata (ou Ciclo de Lancelote-Graal), base para Le Morte d’Arthur, considerado um dos mais antigos e ricos do ciclo.
- Especialistas destacam uma versão com final abreviado da Suite Vulgate du Merlin, o que pode estimular pesquisas se o manuscrito for adquirido por instituição pública.
Um manuscrito medieval do século XIII, considerado um dos mais raros registros das histórias do Rei Arthur, Merlin e da busca pelo Santo Graal, será leiloado em julho pela Christie’s, em Londres. O valor estimado é superior a US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). O códice ficou por mais de 700 anos em coleções privadas e nunca foi exibido publicamente de forma abrangente.
Datado entre 1290 e 1310, o tomo integra o Ciclo da Vulgata, conjunto de narrativas sobre a juventude de Merlin, a ascensão de Arthur e o romance entre Lancelot e Guinevere. O manuscrito reúne 126 miniaturas pintadas sobre pergaminho, com folha de ouro brunida, incluindo Merlin transformado em cervo falante. Cenas mostram cavaleiros da Távola Redonda em batalhas e torneios.
Leilão e raridade
Denominado Manuscrito Lebaudy ou Santo Graal de Clermont-Tonnerre, o exemplar é considerado a versão mais antiga do Ciclo da Vulgata já colocada em leilão. Segundo Eugenio Donadoni, da Christie’s, apenas três manuscritos semelhantes permanecem em coleções privadas, sendo este o mais antiguo e ricamente ilustrado. O texto é descrito como único pelos especialistas.
Autoria das ilustrações
As iluminuras são atribuídas ao chamado Mestre do Apocalipse de Liège, artista anônimo identificado por meio de outro manuscrito. O estilo é marcado por queixo quadrado, linhas angulares e tons alaranjados nas bochechas dos personagens. As obras combinam narrativa detalhada com aplicações de ouro, reforçando o brilho das imagens.
Por décadas, o códice circulou entre cavaleiros, aristocratas e colecionadores de obras medievais. Entre os antigos proprietários estão o conde de Clermont-Tonnerre, o bibliófilo Sir Thomas Phillipps e o industrial francês Jean Lebaudy, cuja herança nomeia o tomo.
Versão especial e interesse acadêmico
O manuscrito contém uma versão incomum da chamada Suite Vulgate du Merlin, destacando finais abreviados e reescritos. A modificação desloca o foco para questões políticas e militares do reinado de Arthur, segundo estudos citados pelo The Guardian. Pesquisadores apontam que essa prática era comum para atender aos patronos da época.
A obra também é valorizada pela privacidade de seu acesso acadêmico, que, segundo Irene Fabry-Tehranchi, dificultou pesquisas ao longo dos séculos. A especialista defende que instituições públicas deveriam adquirir o manuscrito para preservação e acesso mais amplo.
Observações sobre a lenda arturiana
O fascínio em torno do material reflete o caráter enigmático das lendas arturianas, que atravessam séculos e inspiraram obras modernas. Historiadores discutem ainda a existência histórica de Arthur, antepondo elementos mitológicos a relatos de tradição oral europeia.
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