- Dois falsos médicos atuaram no Hospital Jardim Helena, na zona leste de São Paulo, apresentando identidades falsas.
- Um deles, Marcos Phelipe de Barros, era conhecido como Nicolas Joseph Della Matta; a polícia estima cerca de dois mil atendimentos realizados por eles, com pelo menos nove mortes sob suspeita.
- O segundo suspeito, Mayke César Silva, está foragido e usava a identidade de Mike José do Nascimento Florentino; ambos atuavam no pronto-socorro (e, no caso de Mayke, na pediatria).
- A investigação também apura a atuação de uma gestora administrativa do hospital e de um gestor médico de empresa terceirizada, com alegações de falhas na verificação de documentos.
- O hospital afirma que os prontuários foram analisados e não há nexo entre a atuação dos falsos médicos e as mortes; os médicos reais aparecem como vítimas do esquema.
O Hospital Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo, voltou a ficar no centro de uma investigação sobre atendimento médico.
A Polícia Civil prendeu um homem que se apresentava como médico, com indícios de falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e homicídio com dolo eventual. O trio de golpes envolveu dois falsos médicos e uma rede de contatos na instituição.
Marcos Phelipe de Barros, que usava o nome Nicolas Joseph Della Matta, foi detido nesta semana. Mayke César Silva, atual foragido, utilizava a identidade de Mike José do Nascimento Florentino. Ambos atuavam no pronto atendimento do hospital.
Segundo a polícia, a fraude começou com uma disque-denúncia e confirmação de que os documentos apresentados eram autênticos, mas pertenciam a outras pessoas. A investigação aponta que os dois falsos médicos tinham acesso a cópias reais de CRM e diplomas, usados para aplicar golpes dentro da unidade.
Avanços da investigação
Ex-funcionários relatam que Mayke, na função de biomédico, atendia no pronto-socorro e na pediatria, enquanto Marcos Phelipe, instrumentador cirúrgico, atuava principalmente no pronto-socorro. A atuação deles inclui encaminhamentos para a UTI de pacientes críticos, o que é objeto de apuração.
A polícia estima que cerca de 9 mil atendimentos tenham ocorrido sob a atuação dos falsos médicos, com aproximadamente 2 mil pacientes atendidos pelas próprias pessoas. Ao menos nove mortes estão sob suspeita, envolvendo casos analisados pelo Fantástico. Familiares relatam confiança no atendimento.
Entre as vítimas está a mãe de uma estudante, que tinha doença crônica e passou por um cateterismo em outra instituição após diagnóstico inicial feito pelo grupo. Após alta da UTI, a paciente faleceu. Familiares questionam se o tratamento poderia ter sido diferente.
Além dos dois falsos médicos, a investigação envolve gestora administrativa do hospital e gestor médico de empresa terceirizada. Eles foram afastados por medida cautelar, e a defesa do hospital sustenta que a análise clínica interna não estabeleceu nexo de causalidade entre as ações dos fraudadores e as mortes.
O hospital informou que a conferência de documentos era de responsabilidade de uma empresa terceirizada, que fornecia registros autênticos de terceiros. O Fantástico entrou em contato com as defesas de Barros e Mayke, que não se manifestaram ou permanecem foragidos.
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