- A Polícia Civil do Rio deflagrou a Operação Riqueza Sombria para desarticular lavagem de dinheiro ligada ao tráfico do Comando Vermelho.
- A investigação aponta que o esquema movimentou mais de R$ 116 milhões por meio de contas de pessoas físicas e empresas de fachada em quatro estados.
- Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão; até o momento, duas pessoas foram presas e uma arma de fogo foi apreendida.
- As diligências ocorrem de forma simultânea no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, com alvos em Cabo Frio, Jacaré, Campo Grande, Dourados, Sete Quedas, Ribeirão Preto, Orlândia e Formiga.
- Os investigadores identificaram depósitos fracionados em espécie, via método de smurfing, para ocultar a origem do dinheiro e enviar recursos a supostos laranjas e empresas de fachada. Parte dos recursos teria convergido para Sete Quedas, na fronteira com o Paraguai.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira, 2, a Operação Riqueza Sombria para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas da facção CV. A ação ocorreu no Rio de Janeiro com apoio de gaeco, Core e polícias de SP, MG e MS.
A investigação aponta que a organização movimentou mais de R$ 116 milhões por meio de contas de pessoas físicas e empresas de fachada em quatro estados. Até o momento, duas pessoas foram presas e uma arma de fogo foi apreendida durante as diligências.
Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram expedidos contra investigados e empresas ligadas à estrutura financeira da facção. As buscas ocorrem simultaneamente em Cabo Frio, Jacaré, Rio de Janeiro; Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, MS; Ribeirão Preto e Orlândia, SP; e Formiga, MG.
Operação e desdobramentos
Segundo as apurações, o esquema foi descoberto em operação de julho de 2020, na Comunidade do Tatão, Anchieta, na zona norte do Rio. Na ocasião, foram apreendidos drogas, rádios, simulacro e comprovantes bancários.
Os documentos indicam uso de depósitos fracionados, conhecidos como smurfing, para driblar monitoramento e rastreamento. O dinheiro do tráfico era pulverizado entre contas de laranjas e empresas de fachada e, depois, retornava ao sistema financeiro formal.
Relatórios de inteligência financeira apontam que muitos beneficiários ficavam em Sete Quedas, na fronteira com o Paraguai. A relação entre a cidade e o Rio reforça a hipótese de rota comum ao tráfico para entrada de cocaína, maconha e armamentos.
Os investigadores afirmam que a renda declarada por envolvidos era incompatível com as movimentações. Entre 2017 e 2021, o grupo movimentou mais de R$ 116,6 milhões, com casos de depósitos em espécie de valor expressivo em longos períodos.
Até o momento, dois investigados do Mato Grosso do Sul foram presos. Além disso, celulares, computadores e uma arma de fogo foram apreendidos para aprofundar a identificação de integrantes e do patrimônio do grupo.
Autoridades esperam que o material recolhido permita mapear toda a estrutura de lavagem e responsabilizar criminalmente os envolvidos que, segundo apurações, sustentavam financeiramente o CV em diferentes estados.
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