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Okunoshima: ilha tomada por coelhos vira fenômeno turístico com passado sombrio

Okunoshima, ilha dos coelhos, atrai turistas, mas guarda passado de arma química; bem-estar animal e preservação ambiental em debate

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  • Okunoshima, ilha no Mar Interior de Seto, tornou-se famoso pelos coelhos que convivem com turistas, atraindo visitantes de todo o mundo.
  • A população de coelhos varia conforme a época e contagem, podendo chegar a milhares; não há predadores naturais e cães ou gatos são proibidos na ilha.
  • Entre 1929 e 1945, a ilha foi palco de uma instalação secreta do Exército Imperial Japonês para a fabricação de armas químicas, com ruínas preservadas até hoje e um museu dedicado ao tema.
  • O Museu do Gás Venenoso de Okunoshima reúne documentos e equipamentos ligados à produção de armas químicas, enquanto as histórias sobre a origem dos coelhos divergem entre testemunhos e estudos históricos.
  • Além dos coelhos e do passado militar, a ilha oferece trilhas, praias, hotel, fontes termais e atividades ao ar livre; o acesso é feito por balsas a partir de Takehara.

Okunoshima, ilha no Mar Interior de Seto, perto de Hiroshima, atrai visitantes com uma população de coelhos que circula livremente por trilhas, praias e áreas gramadas. A proximidade com turistas criou uma relação de convivência, tornando os roedores parte da atração principal.

A ilha ficou famosa internacionalmente após um vídeo de 2014 mostrar grandes grupos de coelhos acompanhando uma visitante. A ausência de predadores e a proibição de cães e gatos ajudam a manter a população em crescimento, que pode chegar a milhares de animais.

Okunoshima guarda ainda um passado sombrio: entre 1929 e 1945 foi base de produção de armas químicas pelo Exército Imperial Japonês. O segredo era tão intenso que a ilha chegou a ser removida de mapas oficiais na época.

História e memória

Ruínas de fábricas, túneis e depósitos testemunham o uso militar da ilha. O Museu do Gás Venenoso de Okunoshima reúne documentos e relatos sobre a produção de substâncias tóxicas, incluindo gás mostarda, oferecendo contexto histórico sem apressar conclusões.

A origem dos coelhos é tema de debate. Estudos indicam que animais usados em experimentos não sobreviveram à guerra, e a versão mais aceita aponta para solturas iniciadas por estudantes na década de 1970, com o tempo dando origem à população atual.

Atrações e logística

Com cerca de 4 quilômetros de circunferência, a ilha pode ser explorada a pé ou de bicicleta. Trilhas guiam por florestas, mirantes e áreas costeiras, revelando paisagens do Mar Interior de Seto. Há um único hotel, o Kyukamura Okunoshima, rotas de camping e fontes termais para os visitantes.

O acesso se dá por balsas partindo do porto de Tadanoumi, em Takehara, em viagem de aproximadamente 15 minutos. Além da fauna, parte das instalações militares permanece preservada, reforçando o papel estratégico da ilha na história japonesa.

Desafios ambientais

O turismo sustenta a economia local, mas traz desafios para o bem-estar dos coelhos. Voluntários e visitantes alimentam os animais, o que demanda monitoramento para evitar desequilíbrios e desidratação, especialmente no verão, quando a água doce é escassa na ilha.

Em meio aos atrativos naturais, Okunoshima permanece como um ponto de interesse que une curiosidades sobre coelhos, memória histórica e turismo regional, apresentando uma visão multidimensional de um território único.

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