Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Le Parc, aos 97, transforma o olhar do público na matéria de sua obra

Morto aos 97 anos, Julio Le Parc deixa como legado a exploração do olhar do público, dias antes da abertura da retrospectiva na Tate Modern

Julio Le Parc, aos 85 anos, em exposição de suas obras na galeria Nara Roesler, em São Paulo
0:00
Carregando...
0:00
  • Julio Le Parc morreu aos 97 anos, poucos meses antes da abertura da retrospectiva na Tate Modern, marcada para o dia 11.
  • Pioneiro da arte cinética, ele cuestionou quem tem o direito de olhar e enfatizou as respostas do público sobre as instituições.
  • Em 1965 lançou a série Óculos para uma Outra Visão, com doze modelos que distorciam a imagem e revelavam que olhar é uma experiência.
  • Cofundador do Grav (Grupo de Pesquisa em Artes Visuais) no Marais, manteve o foco no espectador em vez do gênio individual.
  • Também foi militante político, participou de ações em 1968 e defendeu obras que questionavam regimes, chegando a colocar o público como parte da obra.

Julio Le Parc, pioneiro da arte cinética, morreu aos 97 anos em Paris, 30 de maio. A Tate Modern abre hoje uma grande retrospectiva dele, preparada ao longo de anos, pouco antes da partida do artista. A mostra celebra o legado de quem transformou a relação do olhar com a obra.

O reencontro com o público foi central na sua prática. Ele questionava quem tem o direito de olhar e valorizava as respostas do público mais que as avaliações de museus. Em vida, recusou rótulos e preferiu ser um experimentador definido pelo olhar envolvido na obra.

Nascido em Palmira, Mendoza, em 1928, Le Parc deixou a Argentina ainda jovem e viveu parte da vida em Paris. Com o Grav, grupo de pesquisa que integrou, buscou dissolver a figura do artista e colocar o espectador no centro da experiência estética.

Trajetória e método

Em 1965, criou os Óculos para uma Outra Visão, com lentes recortadas e prismas que distorciam a imagem. Não eram acessórios, mas instrumentos para impedir que o olho recebesse a imagem de frente, revelando que olhar é uma operação.

Entre 1960 e 1966, desenvolveu séries de luz e espelhos que transformavam o espaço em arena sensorial. A obra ganhava corpo apenas quando o visitante se movia, tornando-se parte ativa do experimento óptico.

Na 33ª Bienal de Veneza, Le Parc conquistou o Grande Prêmio de Pintura com o conjunto que incluía os óculos. Esse momento ilustra a tensão entre o prêmio e a proposta de anonimato do coletivo Grav.

Legado e impacto

A prática de Le Parc enfatizava a participação do público como condição da obra. Em maio de 1968, integrou o Ateliê Popular e enfrentou expulsões políticas, retornando após revogação da medida. Em 1972, assinou a série A Tortura, sobre ditaduras latino-americanas.

Doou Esfera Azul ao Centro Cultural Kirchner, em Buenos Aires, condicionando sua permanência a uma votação pública. Cerca de 4.500 pessoas participaram e 95% aprovaram a obra. A atitude reforça o princípio da democracia da percepção.

Com retrospectivas importantes em Paris (2013) e Miami, o artista consolidou uma linguagem que une espelhos, motores e luz. A abertura da Tate Modern propõe uma experiência de circuito aberto, onde o olho navega entre reflexos.

Observações finais

A exposição na Tate Modern, prevista para abrir, reúne mais de 60 obras criadas ao longo de décadas. O laboratório de Le Parc permanece: o observador ainda é convidado a construir sentido, não apenas receber a imagem pronta.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais