- Um jovem de Santa Catarina assinou documento para abrir mão dos direitos como filho adotivo após uma discussão familiar, abrindo caminho para a “desadoção”.
- Flávio da Silva Maximiano Júnior mudou de sobrenome para Flávio Luiz Moroso Terres após ser adotado na infância por Lilian Regina Terres Moroso e Sonia Moroso Terres.
- Aos 18 anos, ele foi pressionado a escolher entre ficar com as mães ou com a namorada; segundo ele, assinou uma procuração e pedido de desadotação após a orientação de uma advogada.
- A ação foi homologada pela Justiça em cerca de 45 horas; hoje, aos 21 anos, ele questiona a legalidade do processo, alegando fraude, rapidez excessiva e ausência de audiência ou estudo psicossocial.
- O Ministério Público classifica o caso como “divórcio filial”, aponta que a extinção da filiação não é prevista na lei, e o caso segue no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Um jovem de Santa Catarina assinou documentos que encerraram o vínculo de filiação com as mães adotivas e, agora, tenta reverter a decisão na Justiça. A revelação ocorreu em reportagem da TV Globo publicada neste domingo, 7.
Flávio da Silva Maximiano Júnior passou a usar o sobrenome Flávio Luiz Moroso Terres após ser adotado ainda na infância pela advogada Lilian Regina Terres Moroso e pela juíza Sonia Moroso Terres. No período da adolescência, viveu com o irmão, também adotado pelas mesmas mães.
Ao completar 18 anos, uma discussão envolvendo a namorada resultou na ruptura com a família adotiva. Flávio afirma ter sido obrigado a escolher entre ficar com as mães ou ficar com a namorada, e diz ter assinado, a pedido de Lilian, um documento que abriu mão de todos os direitos como filho, incluindo o sobrenome.
Segundo ele, no dia seguinte o acompanhamento de uma advogada que trabalhava para as mães entregou a documentação para assinatura. O rapaz assinou uma procuração e um pedido para que a adoção fosse desfeita. A Justiça homologou o ato em cerca de 45 horas, encerrando a filiação adotiva.
Hoje com 21 anos, Flávio ajuizou uma ação rescisória para anular a sentença, alegando fraude processual, tramitação rápida e ausência de audiência ou estudo psicossocial que fundamentassem o rompimento do laço filial. A defesa afirma que não busca recuperar o sobrenome, e sim os direitos de filiação.
Rodrigo dos Santos Monteiro, advogado de Flávio, afirmou à TV Globo que o jovem quer apenas retornar à convivência com o irmão e reconquistar a família biológica de referência. A irmã mais velha, também adotada pelas mesmas mães, voltou ao abrigo após não se adaptar ao novo ambiente.
O Ministério Público de Santa Catarina classifica o caso como um divórcio filial, prática não prevista pela legislação brasileira, e aponta que a extinção da filiação, seja biológica ou adotiva, pela ruptura afetiva não é admitida. O TJ de Santa Catarina analisa o processo.
As Mães adotivas contestam a versão de Flávio e afirmam ter ido contra a ideia de desfazer a adoção apenas com base na própria iniciativa dele, acrescentando que aceitaram a decisão com sofrimento. O andamento permanece na esfera administrativa e judicial.
Enquanto aguarda a decisão, Flávio trabalha com manutenção elétrica de embarcações em Itajaí e busca reconstruir a própria vida. O jovem não considera normal abrir mão do próprio nome para seguir o caminho pretendido.
A família mantém o foco no desfecho do processo sem antecipar resultados. Flávio mantém planos de futuro, incluindo construir uma vida estável e, um dia, constituir a própria família.
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