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Talha tales: revivendo os vinhos de ânfora do Alentejo

Vinhos de talha do Alentejo, tradição de dois mil anos, vivem renascimento com interpretações modernas, ampliando o alcance internacional.

Honrado_Vineyards, Aletejo Talha
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  • Na região de Alentejo, a vila de Vila de Frades concentra a tradição dos vinhos de talha, com evidências romanas próximas e o museu Cella Vinaria Antiqua, operado pela Honrado Vineyards.
  • A Honrado encontrou um depósito do século XVIII ao ampliar o restaurante País das Uvas, e hoje dispõe de vinte e cinco talhas para fermentação espontânea sem controle de temperatura, com a bebida armazenada até o Dia de Santo Antônio, filtrada com pano de ráfia.
  • As vinhas brancas utilizam Antão Vaz, Arinto, Viosinho, Roupeiro, Perrum e Diagalves; as tintas combinam Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira e Touriga Nacional; o branco premium na safra de 2023 tem cerca de 15% de álcool.
  • A região criou a Talha Denominação de Origem Controlada em dois mil onze, seguindo regras semelhantes à Denominação de Origem Alentejo; produtores como Altas Quintas, em Portalegre, buscam ampliar a produção com cinquenta talhas, enquanto Rocim trabalha versões mais modernas e de maior expressão.
  • Os talha wines vão além do mercado português, com Brasil, Estados Unidos e Canadá como principais destinos; os preços atuais variam e alguns rótulos significam investimento, refletindo a dificuldade de produção e a longevidade das talhas.

A tradição dos vinhos de talha no Alentejo está passando por uma renovação. Povos antigos e museus ganham vida com garrafas que fermentam sem controle de temperatura, em talHAS de barro.

A vila de Vila de Frades, no coração da região, abriga a Cella Vinaria Antiqua, um museu ativo de vinhos de talha administrado pela Honrado Vineyards. A instalação ficou ligada ao restaurante País das Uvas.

A transformação começou quando a Honrado expandiu o espaço ao adquirir um armazém oitocentista, revelando um depósito que abriga 18 talhas, com 15 na Cella e 10 no restaurante. O processo segue tradição.

As vinhas utilizam variedades como Antão Vaz, Arinto, Viosinho, Roupeiro e Diagalves para brancos; Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira e Touriga Nacional para tintos. A fermentação ocorre sem controle de temperatura.

A taxa de álcool de alguns brancos premium alcança 15% na safra de 2023. Em geral, o contato prolongado com as cascas confere ao conjunto perfil marcante, com textura característica das talhas.

Na região, a Talha DOC foi criada em 2011, com regras semelhantes às da Denominação de Origem Alentejo. Produtores exploram interpretações modernas para atrair novos consumidores sem abandonar o costume.

A Altas Quintas, em Portalegre, planeja ampliar para 50 talhas em uma sala dedicada. O objetivo é unir tradição com energia contemporânea, produzindo vinhos para diferentes paladares sem perder a identidade.

A Rocim mantém estratégia de precificar com base no valor do método. A Vinho de Talha 2025 apresenta perfil intenso, com toque de cravo, e envelhecimento em talhas menores para maior expressão. A produção depende de vinhas velhas.

Diferentes produtores equilibram técnica, custo e disponibilidade de talhas. Algumas mudanças incluem fermentar em talhas grandes e transferir para talhas menores por até três meses, com micro-oxigenação para maior intensidade.

Nem todos aceitam a mudança. Alguns enólogos preferem métodos mais controlados. João Maria Portugal Ramos, por exemplo, continua explorando alternativas como concreto e técnicas modernas, com resultados distintos.

A procura por talha cresce além do Alentejo, incluindo mercados como Brasil, EUA e Canadá. Produtores destacam interesse internacional e a ideia de que a bebida representa história e identidade regionais.

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