- Inspeção em comunidade terapêutica em Guarulhos flagrou indícios de cárcere privado, agressões e humilhações a 52 mulheres, sob pretexto de tratamento.
- Depoimentos relatam retirada à força, amarras, contenção com injeções e uso de “mata-leão”; portas dos quartos tinham travas externas.
- Internações ocorreram de forma variada, com algumas voluntárias e outras forçadas por familiares; houve trabalho forçado, isolamento e cortes de acesso a telefone e visitas.
- Três pessoas ligadas à Spa Terapêutico Renaissance foram presas em flagrante; liberadas após 12 dias com medidas cautelares; um dos sócios está preso por porte de arma e é réu por receptação.
- A defesa da empresa nega as acusações, afirma ter documentos que comprovam a voluntariedade das internações, e afirma que há falhas do município no atendimento de saúde; a legislação veda atendimento de saúde em comunidades terapêuticas, com internação voluntária limitada a até noventa dias.
Uma inspeção realizada no dia 7 de maio em uma casa de acolhimento em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, indicou cárcere privado de 52 mulheres. Elas eram mantidas sob pretexto de tratamento para dependência química e problemas de saúde, com agressões relatadas.
Relatos da equipe de fiscalização descrevem retiradas forçadas, amarras, contenção com injeções e uso de mata-leão. Portas de quartos tinham travas externas, dificultando a saída e limitando comunicação com familiares.
As internas também exerciam vigilância de outras pacientes e cuidavam de pessoas com graves transtornos mentais. Três responsáveis pela Spa Terapêutico Renaissance foram presas em flagrante e liberadas após 12 dias, com medidas cautelares.
Versão da empresa e andamento das investigações
Advogados da empresa negam as acusações, afirmando ter documentos que comprovam internações voluntárias e ausência de agressões. Eles dizem que aguardam o encerramento das apurações para apresentar evidências.
Um dos sócios está preso por porte ilegal de arma e também responde por receptação de produto de crime. A empresa informou que pretende encerrar as atividades, alegando denúncias feitas por sete mulheres acolhidas.
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