- O ministro da saúde afirmou que quem recebeu a vacina Butantan-DV está protegido contra quatro sorotipos da dengue; aplicação foi descontinuada temporariamente após 42 episódios de reações adversas graves.
- Foram registrados três casos graves, com duas mortes, mas não há dados suficientes para vincular as mortes à vacina; as investigações seguem em andamento.
- Cerca de 500 mil profissionais de saúde da atenção primária já haviam recebido a dose, e a vacinação foi suspensa até concluir as apurações.
- Butantan, Ministério da Saúde e Anvisa trabalham juntos em apurações, com um comitê técnico assessor para orientar a eventual retomada do imunizante.
- Pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar em observação e procurar a UBS em caso de sintomas como febre, dor abdominal, vômitos, tontura ou sangramentos.
A saúde brasileira segue acompanhando os desdobramentos da vacina Butantan-DV contra dengue. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que pessoas vacinadas estão protegidas contra quatro sorotipos da doença e que a aplicação é eficaz, em Ribeirão Preto (SP). A declaração ocorreu durante visita a um hemocentro local, nesta quarta-feira.
Padilha informou que a aplicação da Butantan-DV foi temporariamente interrompida após a identificação de 42 episódios de reações adversas, ocorridos no período após a vacinação. Entre os casos, houve três situações graves, com duas mortes registradas até o momento. O Ministério afirma que ainda não há dados suficientes para atribuir as mortes à vacina.
A pasta destacou que as investigações são conduzidas em parceria com o Instituto Butantan, a Anvisa e instituições externas. Um painel técnico foi criado para acompanhar o caso, com participação de sociedades médicas e universidades. A decisão de suspender a vacinação permanece enquanto as apurações continuam.
O Ministério ressaltou que, mesmo diante do episódio, a situação não altera o uso da vacina Qdenga, desenvolvida pela Takeda, que continua a ser aplicada em UBSs e clínicas privadas. No SUS, a Qdenga é indicada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Padilha lembrou que a Butantan-DV já recebeu cerca de 500 mil aplicações, realizadas principalmente entre profissionais de saúde da atenção primária, na fase inicial de imunização. A meta é manter a vacinação com cautela até que as investigações cheguem a um veredito técnico.
Ainda durante a fala, o ministro mencionou que algumas reações observadas não haviam surgido nos estudos clínicos realizados no Brasil e nos EUA, o que motivou a pausa temporária para avaliação. Ele ressaltou que a decisão visa esclarecer se há relação causal entre a vacina e os eventos adversos.
Quem recebeu a Butantan-DV nos últimos 21 dias deve ficar atento a sinais como febre, dor abdominal intensa, vômitos, tontura, sangramentos, sonolência, irritabilidade, desidratação e piora do estado geral. Em caso de sintomas, a orientação é procurar a UBS onde houve a vacinação.
A dengue continua sendo monitorada como problema de saúde pública, com registro de redução de óbitos e de casos neste ano. O Ministério reforça a importância de uma vacinação segura e baseada em evidências, enquanto as apurações prosseguem.
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