- Brasil registrou mais de 38 mil testamentos em 2025, o maior volume da série histórica, segundo o Colégio Notarial do Brasil.
- O planejamento patrimonial ajuda a transferir imóveis aos herdeiros com menos atrasos, custos e disputas.
- Principais entraves são imóveis sem documentação, construções não regularizadas e matrículas desatualizadas.
- Planejamento sucessório vai além da divisão: envolve regularização, atualização documental e organização do patrimônio para reduzir conflitos.
- Medidas práticas incluem manter a matrícula atualizada, regularizar ampliações, conferir a área construída, organizar documentos e buscar orientação especializada.
Casas, apartamentos, terrenos e outros bens acumulados ao longo da vida podem exigir anos para serem transferidos aos herdeiros, especialmente quando há pendências na documentação. O aumento do interesse pelo planejamento sucessório no Brasil revela irregularidades jurídicas que tornam a herança mais demorada, burocrática e cara.
Dados do Colégio Notarial do Brasil apontam que, em 2025, foram registrados mais de 38 mil testamentos, o maior volume da série histórica. O número evidencia a preocupação crescente com a organização da transferência de bens entre familiares e com a regularização patrimonial.
Para a advogada Valesca Vaccari, especialista em Direito Imobiliário, muitos conflitos já começam antes da abertura do inventário. Imóveis sem documentação adequada, construções não regularizadas e registros desatualizados dificultam a transferência e podem aumentar custos e atrasos.
“Muitas pessoas imaginam que o desafio é apenas dividir os bens. Na prática, a situação jurídica do patrimônio costuma ser o principal entrave”, afirma, destacando que imóveis irregulares ou matrículas desatualizadas podem prolongar inventários e gerar disputas.
A urgência do planejamento
A herança envolve mais do que a simples divisão de bens. Regularizar imóveis, atualizar documentos e organizar o patrimônio impactam diretamente a velocidade e o custo do processo sucessório. Vaccari observa que famílias com mais de um imóvel ou que utilizam parte do patrimônio para renda enfrentam complexidade adicional.
Segundo ela, a ausência de planejamento revela fragilidades que poderiam ter sido previstas. O movimento de busca por instrumentos de planejamento patrimonial, como testamentos e doações planejadas, acompanha a preocupação com a preservação do patrimônio familiar e a redução de conflitos entre herdeiros.
Cuidados práticos para evitar transtornos
Medidas simples ajudam a reduzir problemas durante o inventário. Entre elas estão: manter a matrícula atualizada, regularizar ampliações e reformas, verificar a correspondência entre área construída e registros oficiais, organizar documentos relacionados aos bens da família e buscar orientação especializada.
Vaccari reforça que a organização prévia facilita transferências mais seguras e menos traumáticas para os herdeiros. A prevenção é apontada como a melhor forma de proteger bens construídos ao longo da vida.
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