- A série Caminhoneiras aborda insegurança e preconceito enfrentados por motoristas mulheres nas estradas brasileiras.
- No episódio, Danielle Fernanda, 34 anos, caminhoneira há quatro anos, relata medo de parar em postos escuros ou com muitos motoristas homens.
- Especialistas e profissionais apontam que o risco persiste até em pátios bem estruturados, com áreas mal iluminadas que dificultam atividades como comer, usar banheiro ou descansar.
- Além da insegurança, a profissional enfrenta preconceito na profissão, com situações em que a presença feminina é confundida com disponibilidade.
- Danielle também comenta a perda do filho em um acidente, usando o caminhão como espaço de força para continuar.
No último episódio da série especial Caminhoneiras, são apresentados os riscos enfrentados por motoristas mulheres nas estradas brasileiras. Ao precisarem parar para descansar, elas relatam insegurança em postos escuros e cercados por motoristas homens.
A reportagem acompanhou Danielle Fernanda, 34 anos, caminhoneira há quatro, em Cesário Lange, interior de São Paulo, a 150 km da capital. Ela explica que evita parar próximo à rodovia por temer abusos ou assaltos, e que áreas escuras, como debaixo de caminhões, são motivo de apreensão. A condição de iluminação e de segurança no local também preocupa.
Especialistas e profissionais do setor apontam que a insegurança persiste mesmo em espaços estruturados. Segundo a organização A Voz Delas, muitos pátios não disponibilizam iluminação adequada, o que dificulta deslocamentos dentro do posto para ir ao restaurante ou ao banheiro. Além disso, dezenas de caminhoneiras relatam ainda o preconceito ligado à percepção de disponibilidade em estacionamentos.
Além do perigo físico, Danielle descreve o preconceito que encara na profissão, ao virar alvo de estereótipos de disponibilidade apenas pela condição de mulher no pátio. Fora da estrada, ela enfrenta uma dor pessoal pela perda do filho em um acidente, e diz encontrar força ao dirigir, sentindo-se grande ao ocuparem o espaço do caminhão.
Conforme a reportagem, a insegurança e o preconceito afetam a rotina das caminhoneiras, que precisam equilibrar a necessidade de descanso com o risco de violência e discriminação. Profissionais ressaltam a importância de melhorias em infraestrutura, iluminação e políticas de segurança nos postos de combustível e áreas de descanso.
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